Diretores de filmes que fecham Tiradentes contestam lógica de mercado

Diretores de filmes que fecham Tiradentes contestam lógica de mercado

 

Por Adriano Garrett, de Tiradentes

 

A 17ª Mostra de Cinema de Tiradentes chega nesse sábado ao seu final com a exibição dos filmes Já Visto Jamais Visto, de Andrea Tonacci, e Linguagem, de Luiz Rosemberg Filho. Os dois experientes realizadores se encontraram em um debate que discutiu seus métodos de criação, e deixaram claro a contestação à lógica de produção imposta pelo mercado cinematográfico.

“Me causa dor ver cineastas pegarem milhões em dinheiro e fazerem porcaria, enquanto cineastas interessados de verdade precisam fazer seus filmes sem dinheiro. Isso é um desrespeito à condição humana, um insulto. Por que o Cavi Borges (diretor presente na plateia) não é financiado pela Ancine, pela Petrobras, pelo BNDES, enquanto um bando de cineastas ruins têm orçamentos polpudos?”, questionou Rosemberg.

Ouvidos por uma sala lotada e atenta, que os aplaudiu muito em diversos momentos de suas falas, os cineastas revelaram um processo criativo peculiar. Andra Tonacci disse que suas obras servem muito mais para um autodescobrimento do que o contrário.

“É o filme que me diz o que eu sou, e não eu que digo o que é o filme. Cada filme revela sua maneira de ser trabalhado, cada ideia me diz interiormente como ela vai ser representada. Mesmo quando sou obrigado a escrever um roteiro e tento visualizar a cena, é uma mera tentativa, uma formalidade necessária para um edital, uma equipe, um projeto”, explicou o diretor de Serras da Desordem e Bang Bang.

A nova obra de Tonacci é formada por imagens pessoais que ele registrou ao longo da vida sem o intuito de transformá-las em filme. Já o curta-metragem de Rosemberg levanta questões distintas a respeito da linguagem cinematográfica.

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