Crítica: Aliança

Crítica: Aliança

 

Por Adriano Garrett, de Tiradentes

 

É difícil que uma comédia brasileira, gênero associado atualmente aos filmes com estética televisiva produzidos pela Globo Filmes, ganhe vez em festivais de cinema, ainda mais naqueles que privilegiam o cinema autoral. A 17ª Mostra de Cinema de Tiradentes ousou nesse sentido ao selecionar o filme Aliança, de Gabriel Martins, João Toledo e Leonardo Amaral, para a Mostra Aurora, seção competitiva de longas-metragens do evento. Vendo o resultado final da obra, porém, a opção da curadoria parece ter mais a ver com o apoio a um gênero e a um modo de se fazer cinema do que exatamente à sua inventividade artística.

Feita claramente como um “filme de galera”, no qual os diretores são também os roteiristas e atores principais, a obra traz a história de três amigos, Pilo, Isaac e Panda. No dia em que os dois primeiros confirmam que o colega está sendo traído pela namorada com um instrutor de ginástica, Panda revela que pretende pedir a amada em casamento na manhã seguinte, depois de comprar a melhor aliança que puder. O filme, então, se baseia nesse conflito, com os amigos procurando o melhor momento para falar sobre a traição.        

A trama frágil e nada original não constitui necessariamente um problema para o filme, que pretende ter força nas variadas situações cômicas decorrentes da situação inicial. E não se pode negar que há bons momentos pontuais no filme: a primeira cena, que estabelece em alguns segundos o longo laço de amizade dos personagens principais; a conversa, com a qual todo espectador deve se identificar, sobre pessoas e situações ridículas vividas nos tempos de escola; a abdução de um personagem e os superpoderes decorrentes de um estado mental altamente etílico…

Na maior parte do tempo, porém, Aliança parece uma comédia pouco inspirada de Judd Apatow, contando com atores apenas esforçados e situações que forçam o riso e passam longe de surpreender o espectador. No fim das contas, o filme não consegue ser mais que um curioso passatempo.

Nota: 6,0/10 (Regular)

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