Crítica: A Mulher que Amou o Vento

Crítica: A Mulher que Amou o Vento

 

Por Adriano Garrett, de Tiradentes

 

Em sua fala antes da exibição de A Mulher que Amou o Vento na 17ª Mostra de Cinema de Tiradentes, a diretora Ana Moravi disse que o vento, assim como a imagem, precisa de um meio para existir, que ele só se completa através do contato com o outro. Essa é uma boa chave para refletir sobre a obra que compete na Mostra Aurora e provocou debandada de público durante sua sessão na cidade mineira.

É errado dizer que o filme não conte uma história linear, já que, como diz o título, a obra trata dessa atração inexplicável entre uma mulher e o vento. As diversas possibilidades de leituras sobre o tema, porém, fazem com que a experimentação de linguagem ganhe uma importância muito maior do que a trama, o que, a princípio, não gera problemas.

As únicas falas presentes no filme são feitas em off, comentando o início da relação de deslumbramento da protagonista com o vento e contribuindo para as discussões metafísicas que permeiam a obra. O filme se apoia essencialmente em belas imagens que são realçadas pela paleta de cores quentes utilizada pela fotografia. Desse modo, cria-se uma sensação de leveza e liberdade apoiada pelo rosto angelical da personagem.

O elemento de inquietação desse universo aparece no mistério trazido pelo vento, que surge personificado na figura de um homem e também nas tomadas subjetivas que se assemelham à visão em infravermelho. É um padrão que, ao ser repetido diversas vezes, me pareceu retirar um pouco do mistério do filme, o que enfraquece sobremaneira uma obra baseada justamente na força de suas imagens.

Mesmo assim, A Mulher que Amou o Vento tem força para gerar múltiplas interpretações a quem se sentir desafiado por ele – a fala da diretora citada no início do texto só reforça essa necessidade vital de troca entre o olhar do público e aquilo que a obra pode oferecer. Na minha visão, o filme trata essencialmente sobre a alteridade, fazendo uma mulher solitária, isolada de outros seres humanos, enxergar no contato com a imprevisibilidade e o mistério do “outro” a única maneira de preencher o vazio de si mesma. 

Nota: 6,0/10 (Regular)

1 comentáriopara“Crítica: A Mulher que Amou o Vento”

  1. […] na última Mostra de Cinema de Tiradentes, o filme A Mulher que Amou o Vento, de Ana Moravi, buscava fazer uma reflexão lírica a respeito do vento, elemento invisível e […]

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