Crítica: Passarinho Lá de Nova Iorque

Crítica: Passarinho Lá de Nova Iorque

 

Por Adriano Garrett, de Tiradentes

 

É coerente que o documentário Passarinho Lá de Nova Iorque tenha sido selecionado para a 17ª Mostra de Cinema de Tiradentes, que tem como tema central a discussão sobre diferentes processos audiovisuais de criação. O filme de Murilo Salles trata justamente das dificuldades encontradas pelo cineasta maranhense Cícero Filho para produzir e distribuir seus filmes, realizados com baixíssimo orçamento.

Acertadamente, Salles não volta seu foco para a obra de seu personagem central, e sim para a paixão pela Arte e para os vínculos que Cícero estabelece ao longo do processo de produção, que aqui é bem mais valorizado do que o próprio resultado final obtido pelo maranhense.  

Passando por várias cidades brasileiras, como São Luiz, Poção de Pedras, Rio de Janeiro e Teresina, Cícero trabalha na pós-produção de um filme, busca dinheiro para lançá-lo, faz contas para fechar o orçamento, tenta refilmar uma cena problemática, etc. São tantos locais e tantas pessoas que aparecem no filme que o espectador pode se confundir, embora fique claro que Salles ressalte propositalmente essa movimentada vida do personagem principal.

O documentário ganha força quando investe em momentos naturalmente cômicos, tal como as várias passagens com uma senhora mais velha (sua sogra?), a tentativa frustrada de uma mulher chorar e a corrida da equipe do filme em um morro com o intuito de fotografar com a melhor luz natural. O uso do riso como elemento de aceitação de uma certa precariedade produtiva é muito interessante, assim como a discussão sobre diferentes tipos de representação (o filme dentro do filme, a atuação diante da câmera).

Acontece que, apesar da inegável singularidade de Cícero Filho, o documentário se estende mais do que deveria, reiterando o seu discurso sobre os percalços do personagem principal até ele se tornar cada vez mais desinteressante. Outro fator que enfraquece o filme é a mudança de tom imposta pela trilha sonora quando uma pieguice que nada tem a ver com o restante da obra aparece aqui e ali.  

Nota: 6,0/10 (Regular)

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