Top 10: Filmes vistos em festivais que estreiam em 2014

Top 10: Filmes vistos em festivais que estreiam em 2014

 

Os festivais de cinema são eventos que trazem em primeira mão filmes muito aguardados e antecipam aquilo que chegará posteriormente às salas brasileiras. Com o ano chegando ao fim, a equipe do Cine Festivais selecionou dez filmes interessantes que foram assistidos nesse tipo de evento e já tem data para entrar no circuito comercial em 2014. Conheça todos eles na lista a seguir.

 

Cortinas Fechadas, de Jafar Panahi e Kambozia Partovi

 

Esse é um dos poucos casos em que conhecer a história do realizador é essencial para o entendimento pleno do filme. Jafar Panahi, premiado diretor iraniano, foi condenado em 2010 pelo regime de seu país a seis anos de prisão domiciliar e a 20 anos sem dirigir ou escrever filmes. A pena foi justificada por um suposto “conluio com a intenção de cometer crimes contra a segurança nacional” e por “propaganda contra a República Islâmica”, delitos extremamente subjetivos que pretendiam calar a voz oposicionista de Panahi.

Acontece que a condenação não impediu que o cineasta, mesmo clandestinamente, seguisse realizando longas-metragens. Após Isto Não E Um Filme – obra realizada exclusivamente no prédio do diretor que discutia essencialmente os efeitos dessa limitação artística -, Panahi traz novamente a metalinguagem para o centro de seu trabalho em Cortinas Fechadas, mas agora cria uma trama ficcional: um homem chega a uma casa de praia trazendo consigo um cachorro, animal considerado impuro pela lei islâmica.

Em certo momento, o protagonista é filmado ao lado de seu cachorro olhando para uma janela coberta por uma cortina preta que tem o formato de uma tela de cinema. A censura e o medo das ameaças externas estão ali representados, mas o diretor faz questão de abrir essas cortinas limitadoras, elegendo mais uma vez a Arte como a melhor forma de resistência. – Por Adriano Garrett

Filme visto na mostra Cinema: Oriente Médio

Previsão de estreia: 2 de maio de 2014

 

Dom Hemingway, de Richard Shepard

 

Jude Law tornou-se famoso ao interpretar galãs em Hollywood. Por isso, Dom Hemingway tem um gosto especial. Dando vida a um desprezível personagem que xinga, briga e mata sem o menor pudor, o britânico alcança uma das melhores performances de sua carreira – ainda que o filme diminua o brilho do trabalho de Law apelando para soluções óbvias e apressadas. – Por Paulo Gadioli

Filme visto no Festival Internacional de Cinema de Toronto (TIFF)

Previsão de estreia: 18 de abril de 2014

 

Entre Nós, de Paulo e Pedro Morelli

 

Nessa nova produção da O2, vários amigos se reúnem em um sítio e escrevem cartas secretas para eles mesmos lerem juntos dez anos depois. Pouco após selarem a promessa, um deles morre em um acidente de carro. Muita coisa muda até a turma se reencontrar no mesmo sítio, mas ainda há um grande segredo que pode abalar a união do grupo de vez.

Com um elenco composto por muitos rostos conhecidos das novelas, a trama se destaca pela naturalidade e pelo entrosamento do grupo, que convence nas duas partes da história. A direção, dividida entre pai (Paulo Morelli) e filho (Pedro Morelli), também pode explicar a fluência do longa, que está entre as boas produções nacionais do ano. – Por Christian Costa

Filme visto na 37ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo

Previsão de estreia: 28 de março de 2014

 

Fruitvale Station – A Última Parada, de Ryan Coogler

 

Vencedor de Sundance e queridinho dos Weinstein, Fruitvale Station é exatamente o que se espera de um filme com tais atribuições: uma caminhada na linha tênue entre o dramático e o piegas. O novato diretor Ryan Coogler faz um bom trabalho e, com a ajuda de um inspirado Michael B. Jordan (nome que deve ser muito falado nos próximos anos), apresenta uma revoltante historia de brutalidade policial e injustiça social, infelizmente baseada em fatos reais. - Por Paulo Gadioli

Filme visto no Festival do Rio de 2013

Previsão de estreia: 31 de janeiro de 2014

 

Inside Llewyn Davis – Balada de Um Homem Comum, de Joel e Ethan Coen

 

O novo filme dos irmãos Coen tem como eixo a rotina de pequenos fracassos do protagonista Llewyn Davis (Oscar Isaac), músico que enfrenta dificuldades profissionais e sociais para se adequar ao mundo em que vive. Impregnado pela melancolia que as suas próprias canções folk exalam, ele é retratado como um homem com vários defeitos, mas que conquista mesmo os espectadores através da beleza de sua música e de suas tentativas recorrentes de torná-la reconhecida.

Através da odisseia particular e desglamorizada de um protagonista que, ao contrário do Ulisses de Homero e do gato de uma família amiga, não tem para onde voltar, os Coen discutem as noções de sucesso e fracasso que permeiam nossas vidas e que, além de estarem submetidas invariavelmente ao acaso, são bem mais subjetivas do que parecem. Afinal de contas, um sucesso costuma ser precedido por muitos fracassos. (leia a crítica completa aqui– Por Adriano Garrett

Filme visto na 37ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo

Previsão de estreia: fevereiro de 2014

 

Instinto Materno, de Calin Peter Netzer

 

Child’s Pose (título inglês do filme) é o cinema romeno em grande forma. Num dos melhores roteiros do ano, especialmente dedicado a diálogos sensacionais, acompanhamos os acontecimentos após um homem, filho de família rica, atropelar uma criança pobre. A atriz Luminita Gheorghiu, em atuação assombrosa, interpreta Cornelia (mãe do réu), que fará de tudo para livrar o filho da prisão. Crítico, em texto e subtexto, ao patrimonialismo e à desigualdade social, Child’s Pose é um filme inteligente, em que a profundidade dos personagens joga a favor de um intenso drama familiar. - Por Ivan Oliveira

Filme visto na 37ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo

Previsão de estreia: janeiro de 2014

 

Miss Violence, de Alexandros Avranas

 

O grego Miss Violence, de Alexandros Avranas (Leão de Prata de Direção em Veneza), já começa interrompendo uma festa e nos tornando cúmplices do suicídio de uma garota de 11 anos. A partir de então, vamos vagarosa e dolorosamente descobrindo os motivos por trás da tragédia. Um diretor com pleno domínio do ritmo e clima de seu longa e um elenco fora de série são os maiores responsáveis pelo silêncio sepulcral; reação mais esperada diante da violência física e psicológica que reina no que talvez seja o filme mais dilacerante de 2013. (leia a crítica completa aqui) - Por Ivan Oliveira

Filme visto na 37ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo

Previsão de estreia: 16 de maio de 2014

 

O Imigrante, de James Gray

 

James Gray é um cineasta com forte pé no cinema clássico. Assim, muitas vezes seus longas são tomados como simplistas, por apresentarem fórmulas conhecidas e evitarem maneirismos visuais. A qualidade do norte-americano, no entanto, está na forma de recontar e se aproveitar do que já foi feito, como O Imigrante deixa claro.

Armado de seu ator-fetiche Joaquin Phoenix, Gray conta uma historia de sofrimento, ciúme e independência que pode parecer comum. Mas, com seu apuro visual (como mostra o belíssimo ultimo plano) e seu excelente trabalho com atores, o cineasta faz o complicado parecer simples, criando um filme que deve figurar em diversas listas de melhores do ano. - Por Paulo Gadioli

Filme visto no Festival do Rio de 2013

Previsão de estreia: março de 2014

 

Riocorrente, de Paulo Sacramento

 

O retrato de Paulo Sacramento para a atmosfera aflitiva e caótica que caracteriza São Paulo é cheio de sensações quase psicóticas. As metáforas visuais e interferências líricas reforçam uma tensão que faz da cidade também uma personagem desse corajoso longa sobre um triângulo amoroso envolto em crises existenciais. Machucados por suas dúvidas e por uma cidade sempre em combustão, os personagens parecem estar num labirinto urbano, habilmente construído pela pungência criativa de Sacramento. Com uma narrativa sólida e fotografia de Aloysio Raulino (consagrado diretor de fotografia falecido no começo do ano), Riocorrente é, certamente, um dos filmes brasileiros mais impactantes de 2013. (leia a crítica completa aqui- Por Ivan Oliveira

Filme visto na 37ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo

Previsão de estreia: 11 de abril

 

Todos Os Dias, de Michael Winterbottom

 

O novo longa de Michael Winterbottom (A Festa Nunca Termina, 9 Canções) conta com uma particularidade encantadora: as filmagens foram realizadas intencionalmente ao longo de cinco anos, mostrando o crescimento das crianças e as mudanças estéticas dos adultos que compõem o elenco central.

A escolha dá tom intimista à história, que mostra uma família britânica de classe média abalada pela prisão de Ian (John Simm). Apesar do infortúnio que motiva a trama, elementos como a trilha sonora angelical e vários planos abertos verdejantes suavizam (excessivamente) o longa.  No fim, a obra funciona mais como passatempo de luxo – e Winterbottom tem potencial para bem mais. (leia a crítica completa aqui– Por Christian Costa

Filme visto na 37ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo

Previsão de estreia: 24 de janeiro de 2014

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