Vencedor do Festival do Rio de 2011 deve ser lançado em março de 2014

Vencedor do Festival do Rio de 2011 deve ser lançado em março de 2014

 

Por Adriano Garrett

 

“Acima da minha paixão pela obra estava um desejo muito grande de levar esse filme ao conhecimento do povo brasileiro, que está perdendo contato com esses gênios da literatura. Espero que o povo vá ao cinema e conheça essa história novamente”. Essas palavras foram ditas pelo diretor Vinícius Coimbra em 18 de outubro de 2011, data em que seu filme A Hora e a Vez de Augusto Matraga, adaptação do conto homônimo de Guimarães Rosa, recebeu cinco prêmios no Festival do Rio, incluindo os troféus de melhor filme tanto pelo júri oficial quanto pelo voto popular. Mais de dois anos depois, o desejo de contato com um público mais amplo não foi efetivado, já que a obra ainda não chegou ao circuito comercial.

A espera pelo lançamento, apontada pelo diretor como um “exercício de frustração”, está prestes a acabar. Após a divulgação de datas de estreia que acabaram não se concretizando, o filme protagonizado pelo ator João Miguel deve chegar aos cinemas no primeiro trimestre do ano que vem, provavelmente em março, e será distribuído pela empresa Nossa. Em entrevista ao Cine Festivais, Vinícius Coimbra disse que o intervalo entre a consagração no Festival do Rio e a exibição comercial do filme está relacionado a uma opção por lançar a obra com um número de cópias maior daquele normalmente oferecido pelas distribuidoras.

“O mercado brasileiro de distribuidores está muito mais interessado em comédias do que em dramas. Esse ainda por cima é um drama histórico, então eu não sei se os distribuidores tiveram muito interesse no filme. Eles querem investir em projetos com mais certeza de retorno. Eu não fiquei satisfeito com as propostas que eu tive de distribuição, que eram de lançamentos muito pequenos, com 15, 20 cópias. Então foi uma opção minha de esperar a gente conseguir captar um pouco mais de dinheiro para poder lançar o filme com 60, 70 cópias”, explica o diretor, que acha que a busca por um lançamento maior é coerente com o discurso que realizou após a premiação no Festival do Rio.

Vinícius acredita que, sem o destaque obtido no evento carioca, o lançamento comercial do filme “seria ainda mais difícil”, já que os troféus conquistados atraíram alguns investidores. Embora não esconda a ansiedade pelo lançamento comercial, o diretor pensa que o atraso não deve fazer a obra ficar datada.

“Todo mundo acha que o filme tem que ser lançado logo, né? Mas eu faço filmes para que eles fiquem, para que tenham uma boa longevidade. Então eu não me ligo muito nessa velocidade de filmagem, edição, lançamento… Eu adoraria que fosse assim, mas eu não tenho dinheiro para fazer assim. Os projetos que eu escolho fazer não tem essa natureza. Então, para o meu objetivo de chegar ao povo brasileiro, eu não quero acreditar que esse atraso tenha atrapalhado, porque eu acho que não faz diferença para o povo brasileiro. O povo brasileiro não foi ao Festival do Rio, sabe? O povo brasileiro é muito maior do que isso, não vai fazer essa conta de que o filme foi feito há dois anos e tal”, opina.

O otimismo de Vinícius não foi abalado nem mesmo depois que Fernando Meirelles decidiu cancelar a adaptação que faria do romance Grande Sertão: Veredas, outra obra de Guimarães Rosa, por causa da baixa expectativa de público gerada principalmente depois que Xingu, filme que produziu, não obteve o esperado número de espectadores nas salas de cinema.

“É desanimador você fazer um investimento, como ele (Fernando Meirelles) fez no Xingu, e ter um retorno pequeno. Eu acho que ele teve medo de isso acontecer de novo, já que o Grande Sertão: Veredas não é um filme barato. O Matraga foi um filme mais barato, feito com pouco dinheiro. Ele deveria ter sido feito com mais, porque é um filme todo rodado em locações, de época, mas foi feito com pouco dinheiro, então a minha expectativa de público para cobrir o investimento não é tão grande quanto seria do Grande Sertão. Nesse sentido, a minha expectativa e aquilo que estou torcendo é para que a gente tenha em torno de 400 a 500 mil espectadores”, projeta.

Após o fim da espera pelo lançamento de A Hora e a Vez de Augusto Matraga, Vinícius Coimbra pretende realizar uma nova adaptação literária em seu segundo longa-metragem: uma versão contemporânea da peça Macbeth, de William Shakespeare. Já há um acordo com a Globo Filmes e com uma distribuidora que terá uma parte dos lucros da produção, em sistema diferente daquele que foi utilizado em Matraga. No entanto, ainda é preciso obter metade dos recursos necessários para que a obra seja filmada, o que provavelmente aconteceria no meio do ano que vem, no Uruguai. Sem esse dinheiro, “nada está garantido”.

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