Crítica: Voyage

Crítica: Voyage

 

Por Adriano Garrett

 

Há uma ambição nesse filme de Hong Kong que se revela pelo número de países em que ele se passa e pelo tema que une as diversas tramas: a relação das pessoas com a morte, algo evidentemente universal. No entanto, a pretensão demonstrada é mal trabalhada por uma obra que se apoia em passagens mais ou menos inspiradas que, em um todo, se mostram frágeis e desprovidas de qualquer reflexão que não seja superficial.

O que liga todas as tramas é o personagem Ryo (Ryo van Kooten), um psiquiatra claramente inspirado em Scud, diretor do filme (o barco que o protagonista dirige leva o nome do cineasta). Ele questiona se escolheu essa profissão para lidar com a depressão ou se está deprimido por exercer a função. Para lidar com essa dúvida interna, Ryo relembra casos trágicos ocorridos com pessoas que morreram prematuramente.

Em algumas dessas histórias, letreiros surgem para explicar traços culturais importantes para a trama, como no caso da mãe que busca reencontrar o filho morto em uma espécie de limbo e no caso do rapaz que morre em uma fonte de água e se vê condenado a repetir infinitamente o seu ato suicida.

Esses são os principais destaques de um filme, que, na maior parte do tempo, parece estar se dirigindo não ao seu espectador, mas às lembranças pessoais de seu diretor. Não à toa, o final da obra causa constrangimento e risos, principalmente naqueles que acreditavam que a ambição do longa-metragem não cairia por terra devido a um roteiro que se revela tolo e esquemático.   

Nota: 6,0/10 (Regular)

 

Sessões do filme na Mostra:

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