Crítica: Solo

Crítica: Solo

 

Por Adriano Garrett

 

Nelson Almada (Enrique Bastos), personagem principal do filme uruguaio Solo, vive uma típica crise de meia idade. O relacionamento com a mulher acabou e o emprego como trompetista da banda da Força Aérea Uruguaia, no qual está há mais de duas décadas, já não lhe agrada como antes. Ele, então, tenta iniciar uma mudança em sua vida.

O caminho que Nelson encontra para isso é a volta às origens. Uma fotografia o mostra feliz com o trompete quando garoto, e uma caixa de fitas antigas com composições que fez quando jovem lhe instiga a participar de um concurso de músicas inéditas promovido por uma rádio local. A sua intenção é fazer algo mais do que shows em que “ninguém presta atenção”: ele deseja, acima de tudo, afirmar o seu talento individual.

O trabalho de atuação que Enrique Bastos faz na pele do protagonista é notável. Homem de poucas palavras, Nelson não costuma transmitir pela fala aquilo que realmente pensa. Desse modo, a expressão facial do ator serve como guia para os sentimentos do personagem. Já os seus companheiros de banda, que são na vida real membros da Força Aérea Uruguaia, realizam interpretações convincentes, principalmente o maestro.

Na aparência, o conflito do protagonista passa a ser a escolha entre o trabalho e o sonho individual quando uma viagem de trabalho é marcada na mesma data que a final do concurso de músicas inéditas. Felizmente, o diretor e roteirista Guillermo Rocamora entende que aquilo que Nelson persegue não é a aprovação externa, mas a certeza de que o rumo que escolheu para a sua vida é o mais certo.

Há vezes em que a reflexão é a chave para voltarmos a nos encantar com nossas vidas.

Nota: 7,5/10 (Bom)

 

Sessões do filme na Mostra:

 

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