Crítica: Metamorphosen

Crítica: Metamorphosen

 

Por Christian Costa

 

Primeiro campeão de desistências da Mostra, este belo documentário alemão sobre uma região contaminada por radiação na Rússia não merece ser injustiçado, como foi pelas pessoas que abandonaram a sessão nesta sexta-feira (18).

O longa revela a paisagem e o povo dos arredores da instalação nuclear Mayak, que sofreu diversos acidentes pouco divulgados desde a década de 1950, com graves vazamentos radiativos que duraram até 14 horas.

Tanto a bela fotografia em preto e branco azulado quanto a paciência para realizar parte das tomadas pode remeter ao diretor Andrei Tarkovski, em filmes como Nostalgia ou até Stalker, que foi filmado em uma área radioativa da Estônia. Assim como nos filmes do russo, há depois de um tempo a sensação clara não apenas de entrar no cenário ao redor de Mayak, mas de fazer parte dele.

Metamorphosen aborda um povo tão árido, silencioso e gélido quanto a paisagem que o cerca. Destaque para o cuidado dos realizadores ao captar retratos e observar simetrias – elementos que evocam sabor contemplativo semelhante ao da trilogia Qatsi.

Nota: 8/10 (Ótimo)

 

Sessões do filme na Mostra:

Dia 19/10

19:40 – ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA – FREI CANECA 5

Dia 25/10

21:50 – ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA – AUGUSTA 1

Dia 28/10

16:10 – ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA – FREI CANECA 3

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