Exposição mostra Kubrick em imagem, som e muito mais

Exposição mostra Kubrick em imagem, som e muito mais

 

Por Ivan Oliveira

 

Quem julga Stanley Kubrick um dos maiores, mais versáteis e mais perfeccionistas diretores de cinema da história provavelmente terá suas impressões reforçadas na exposição Stanley Kubrick, que é realizada em parceria com a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo e fica em cartaz no Museu da Imagem e do Som (MIS) até 12 de janeiro do próximo ano.

Montada inicialmente na Europa pelo Deustches Filmmuseum, de Frankfurt, e aberta a acréscimos curatoriais a depender do local que a recebe, a exposição é muito mais do que um mergulho informacional na obra do diretor: trata-se de uma louvável tentativa de transmitir a experiência de filmar aqueles longas ou estar naqueles sets. 

As centenas de itens originais (objetos de cena, cartas, esboços, roteiros, câmeras, figurinos, maquetes e fotografias de produção) ganham expressão com a ambientação criada pelo MIS. São 16 espaços climatizados com capricho por meio de cenários alusivos ao filme, luz conceitual e trilha sonora constante. O raro percurso sensorial envolve entrar numa Sala de Guerra, para sabermos mais sobre Dr. Fantástico, ou numa nave espacial, para entendermos o árduo processo em busca dos efeitos especiais de 2001 (imagine, então, o que te espera na seção dedicada a O Iluminado). 

Os ambientes são interligados por estreitas passagens, semelhantes a coxias de teatro, com cortinas pretas e o cartaz do filme que será o tema da próxima sala. O artifício tem dupla função: desfazer a imersão anterior e nos preencher de expectativa pela próxima viagem. E é nessa aventura entre mundos tão distintos que a expografia se justifica: se, após saírmos de um exuberante salão nobre do século 18 (Barry Lyndon), encontramos as beliches de um quartel (Nascido para Matar) é porque Kubrick fez esses caminhos, aprofundando-se nesses universos em suas produções. 

Mais do que peças já icônicas na cultura pop (o figurino de Alex, em Laranja Mecânica, ou o machado e a máquina de escrever de Jack Torrance, de O Iluminado), muitos itens indicam marcas da personalidade artística de Kubrick, como a meticulosidade em cada etapa do processo. Ficamos sabendo que ele rejeitou vários cartazes de Saul Bass para O Iluminado e organizou, com ajuda de historiadores, um gaveteiro – um dos objetos mais impressionantes da exposição – com inúmeras fichas sobre as pessoas que participaram da vida de Napoleão – pesquisa para um projeto que não se realizou. 

Ainda leremos cartas como a de Vladimir Nabokov, elogiando a adaptação do diretor para Lolita, e entenderemos um pouco sobre a evolução de aspectos técnicos – as pranchas desenhadas para a continuidade em Spartacus deram lugar às fotografias polaroides em Barry Lyndon, e assim por diante.

Aquele que não resistir aos vestígios das obras-primas de Kubrick, deverá perder a noção do tempo dentro do MIS. 

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