Kubrick adoraria novas tecnologias se estivesse vivo, diz viúva do diretor

Kubrick adoraria novas tecnologias se estivesse vivo, diz viúva do diretor

 

Por Adriano Garrett

 

Em 1999, ano em que o diretor americano Stanley Kubrick faleceu, a internet ainda caminhava lentamente rumo à sua popularização mundial, a captação de imagens e a exibição digitais de filmes estavam longe de competir com a película, e nomes como Facebook, Youtube e iPhone não faziam sentido. Na opinião de quem conviveu com o artista por mais de 40 anos, o progresso tecnológico fascinaria Kubrick se ele estivesse vivo.

“Eu sempre penso nele quando vejo todas essas novas tecnologias, o novo iPhone, esse tipo de coisa. Stanley iria adorar tudo isso. Ele teria interesse na internet, ficaria louco pesquisando no Google…”, diz Christiane Kubrick, viúva do diretor, que conversou com o Cine Festivais na última terça-feira (15).

Christiane está em São Paulo para participar como convidada de dois eventos que homenageiam o seu marido: a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, que exibirá todos os filmes de Kubrick entre 18 e 31 de outubro, e a exposição sobre o trabalho do cineasta, que está sendo sediada pelo Museu da Imagem e do Som (MIS) e fica em cartaz até janeiro.

A presença da viúva de Kubrick se dará não só pessoalmente, mas de duas outras formas. A pintura escolhida para ser o pôster da Mostra – e que serviu de base para a vinheta que será exibida antes de todos os filmes – foi feita por Christiane durante as filmagens de Barry Lyndon, no interior da Irlanda. Outro dote artístico dela pode ser conferido em sua participação como atriz em Glória Feita de Sangue, no qual interpreta uma cantora que participa da cena mais esperançosa do filme.     

Christiane conheceu Kubrick no set de filmagens desse último filme, se casou com ele um ano depois e permaneceu como sua companheira até a sua morte. Além de acompanhar o trabalho do marido na produção de seus filmes, ela também foi testemunha de dois projetos que o diretor não conseguiu concretizar: Inteligência Artificial (realizado posteriormente por Steven Spielberg) e Napoleão. Principalmente em relação a esse último, o financiamento por meio dos grandes estúdios foi um grande obstáculo.

“Stanley me dizia que no futuro as pessoas provavelmente teriam televisões maiores, e quando os primeiros DVDs apareceram ele já estava morto. Ele tinha esperança de que as pessoas poderiam ver filmes como leem livros, e que você poderia levar oito horas para contar a história de Napoleão, porque seria como um livro. Você poderia escolher um tema que não necessariamente interessasse todo mundo, mas que tivesse tópicos bem específicos”, conta Christiane.  

Se a ideia que Kubrick tinha em relação ao crescimento do tamanho das TVs já se mostrou correta com o passar dos anos, a possibilidade de que a história do mais conhecido governante francês seja contada por meio de uma superprodução aumentou depois que Steven Spielberg anunciou, nesse ano, a sua intenção de realizar uma minissérie para a TV sobre Napoleão. A execução desse projeto, porém, ainda não está confirmada. 

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