Professor da Escola de Cinema e Vídeo do California Institute of the Arts (CalArts) desde a década de 80, Thom Andersen levou a sua visão particular sobre a história do cinema americano para a direção cinematográfica em filmes como Hollywood Vermelha (1996) e Los Angeles Por Ela Mesma (2003). A obra do autor, assim como a de outros artistas vinculados a ele, é tema da mostra Hollywood e Além: O Cinema Investigativo de Thom Andersen, que acontece de 8 a 17 de julho no Centro Cultural São Paulo.

Exibido na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo em 2014, Los Angeles Por Ela Mesma é o filme que alçou o diretor a papel de destaque entre a cinefilia internacional. O trabalho ensaístico se utiliza de trechos de dezenas de filmes americanos de diferentes períodos para refletir sobre o modo com o qual a cidade de Los Angeles costuma ser representada em tela.

Responsáveis pela curadoria da mostra, Aaron Cutler e Mariana Shellard falaram por e-mail ao Cine Festivais sobre as principais características do cinema de Thom Andersen e apontaram os destaques da programação da mostra.

 

Cine Festivais: Thom Andersen disse considerar que seus filmes têm mais relação com uma análise histórica do que crítica. O que significa isto para vocês? 

Aaron Cutler/Mariana Shellard: Andersen é professor universitário e isso reflete em seu trabalho. Seus documentários sobre cinema – inclusive seu longa mais famoso, Los Angeles por Ela Mesma (2003) – foram profundamente pesquisados durante anos antes de se transformarem em filmes. Não há pressa na execução, fazendo com que cada frase ou cena seja pensada e repensada antes de tomar sua posição final.

Andersen acredita no valor do indivíduo e consequentemente traz à tona a obra de artistas esquecidos e descartados pela indústria do cinema. Ele valoriza artistas e corpos de trabalho humanistas.Por exemplo, no curta-metragem Juke – Passagens dos filmes de Spencer Williams (2015), ele defende a relevância dos filmes realizados pelo ator e diretor negro na década de 1940 como registros fieis da cultura negra norte-americana da época, em detrimento da percepção até hoje vigente de que eram ingênuos e tecnicamente ruins. Apenas com um intertítulo informando o período dos filmes sobreviventes de Williams, o curta é uma compilação graciosa e divertida de imagens de seus filmes.

Hollywood Vermelha (1996) – desdobramento de uma pesquisa que realizou em parceria com Noël Burch, também autor do filme – combate o discurso frequente que vitimizava os roteiristas e diretores condenados na Lista Negra de Hollywood (responsável pela delação de comunistas ou simpatizantes, fazendo com que fossem descartados da indústria, expatriados ou até mesmo presos) e que prevaleceu por anos como principal argumento em defesa desses artistas. Andersen e Bürch defendem a relevância para o cinema dessas obras com abordagens socialmente progressistas e argumentam que a qualidade do cinema hollywoodiano não foi mais alcançada após a censura e pressão social realizadas na época.

Em seus estudos cinematográficos sobre cinema, Andersen enfatiza a perda, em filmes hollywoodianos, de personagens de baixa renda, trabalhadores comuns e suas dificuldades cotidianas. Esses personagens eram frequentes nas décadas de 30, 40 e 50, e os filmes eram populares. Suas histórias eram mais complexas e ambíguas, se aproximando da vida real.

 

CF: Gostaria que vocês tentassem discorrer sobre esse conceito nos filmes de Andersen (mais notadamente em Hollywood Vermelha e Los Angeles Por Ela Mesma), tomando como elemento de comparação o filme Uma Viagem Pessoal Pelo Cinema Americano (dir: Martin Scorsese e Michael Henry Wilson, 1995), que também se propõe a fazer um recorte particular dos filmes do país. São tipos diferentes de cinefilia? 

AC/MS: Martin Scorsese completou Uma Viagem Pessoal Pelo Cinema Americano em 1995, cinco anos depois da criação da Film Foundation, tornando a série uma propaganda implícita para seus projetos de restaurações. Ele já havia realizado seus filmes mais conhecidos – como Caminhos Perigosos (1973), Taxi Driver (1976), Touro Indomável (1980) e Os Bons Companheiros (1990) – e já havia garantido seu lugar na história do cinema americano, apesar de ter apenas cinquenta e poucos anos de idade. Ele podia falar confortavelmente em sua posição no cânone, informando ao público o que o restante do cânone deveria ser.

Scorsese se apresenta como um guia para o sistema do qual faz parte, com todo o glamour superficial que poderia ser facilmente associado a sua posição. Os filmes que ele nos mostra são filmes que não apenas ama, mas deseja, e as cenas passam na tela enquanto ouvimos sua voz nos dizer, de forma fetichista, porque devemos achar esses filmes tão atraentes como ele acha.

Thom Andersen, em comparação, não era uma personalidade pública quando fez seus filmes sobre cinema, e, portanto, optou por criar uma. Em Hollywood Vermelha e em Los Angeles por Ela Mesma o personagem se tornou, de certa forma, um polêmico marginal que constantemente desafia a sabedoria estabelecida.

Em Hollywood Vermelha (que nasceu de um importante artigo homônimo do cineasta, publicado em 1985), o papel do narrador (na voz de Billy Woodberry), criado por Andersen e Noël Burch, utiliza a obra desvalorizada dos cineastas que entraram para a Lista Negra de Hollywood para expor a baixa prioridade que a sociedade americana continua a dar aos cidadãos da, cada vez mais baixa, classe média e classe operária.

Los Angeles por Ela Mesma apresenta um narrador sem nome (na voz de Encke King) que fala sobre sua experiência como residente da cidade de Los Angeles com um tom de um detetive de filme noir enervado ao comentar a ofensa pessoal que sente cada vez que os filmes distorcem a realidade da cidade.

O filme Minha Viagem à Itália, de Scorsese, pode ser uma comparação mais apropriada ao trabalho de Andersen, em parte porque sua discussão sobre o neorrealismo italiano obrigatoriamente aborda questões históricas e políticas, de uma forma que sua discussão sobre os clássicos de Hollywood não fazem. (Um argumento crucial de Hollywood Vermelha, por exemplo, é o aniquilamento do neorrealismo hollywoodiano pela Lista Negra, algo que a amável apreciação de Scorsese por Elia Kazan é obrigada a negar).

Em sua série, Scorsese louva Nicholas Ray por ser um diretor que produziu imagens de grande força, entusiasmo e poder emocional. Andersen descreve, em Hollywood Vermelha, o trabalho de Ray como o de um diretor que entendeu como o casamento pode ser usado como uma arma capitalista (em Amarga Esperança, 1948), e, em Los Angeles por Ela Mesma, como o primeiro diretor a perceber o automóvel como um instrumento de mudança social na vida da juventude urbana (em Juventude Transviada, 1955).

Um comentarista mergulha na emoção da ficção para mostrar o quão satisfatoriamente prazerosos filmes antigos podem ser; o outro procura se aproximar da realidade para perguntar persistentemente o que filmes antigos podem continuar a nos ensinar. Enquanto a viagem pessoal de Scorsese sempre oferece o belo escapismo da ficção, a “história pessoal do cinema” de Andersen – como se refere seu longa mais recente, Os pensamentos que outrora tivemos – inclui livremente, em seu discurso, documentários e ficções, sugerindo que podemos aprender tanto com um, quanto com o outro.

 

CF: Tanto em Eadweard Muybridge, Zoopraxógrafo (1975) quanto em Hollywood Vermelha, Thom Andersen coloca holofotes sobre pessoas, filmes e pontos de vista com pouca visibilidade na história do cinema americano. De que modo o próprio Andersen, ao seguir este caminho no cinema, se tornou um pioneiro na sua abordagem? Como o filme sobre Muybridge prenunciava um interesse quase “arqueológico” no estudo sobre as particularidades das imagens em movimento que estará presente em seus outros trabalhos?

AC/MS: Em Eadweard Muybridge, Zoopraxógrafo, seu primeiro longa, Andersen conta a história do fotógrafo inglês homônimo que se consagrou por ser o primeiro a simular o movimento humano através da fotografia, e desenvolve um argumento defendendo que Muybridge foi um dos precursores do cinema moderno por antecipar, emmais de uma década, a velocidade de 24 quadros por segundo que se consolidou como padrão no cinema moderno. A história é narrada integralmente sobre fotografias de Muybridge, salvo por uma espécie de licença poética quando o diretor reencena uma das sequencias fotográficas para expressar seu ponto de vista sobre a imagem em movimento.

Andersen conseguiu o patrocínio necessário para realizar Eadweard Muybridge, zoopraxógrafo, o que o estimulou a criar projetos subsequentes que necessitavam de verbas similares ou até maiores. Isso resultou em um intervalo de 20 anos entre a produção de seu primeiro longa-metragem e a do segundo, Hollywood Vermelha. A limitação financeira de Andersen foi um importante propulsor do seu estilo de cinema. Ele mesmo diz que faz filmes com imagens de arquivo em parte por sua limitação financeira para fazer filmes com atores. Esta se tornou uma solução criativa para ele.

Los Angeles por Ela Mesma,por exemplo, analisa a perspectiva distorcida de Hollywood sobre a cidade de Los Angeles através de cenas de filmes realizados entre as décadas de 1930 e 2000. Cheio de humor e muito bem editado, o filme compila clássicos do cinema hollywoodiano como Pacto de Sangue (1944), Chinatown (1974) e Blade Runner, o Caçador de Andróides (1982). Apesar de longo (170 minutos), não é cansativo e possui uma surpreendente mudança de foco que conduz a narrativa para exemplos alternativos e mais obscuros do cinema, como Os Exilados (1961), O Matador de Ovelhas (1977) e Bless Their Little Hearts (1983), muitos dos quais acabaram recebendo maior exposição em consequência do filme de Andersen.

Em seu processo de pesquisa “arqueológica”, Andersen descobriu Tony Longo, um ator com mais de cem pequenos papeis em filmes de ação, interpretando, frequentemente, personagens como seguranças de boate e caminhoneiros por ter um aspecto rústico e ser um homem enorme. Seu interesse no ator resultou em A Trilogia de Tony Longo (2014), que, com um tom irônico, apresenta a tragédia de seus personagens em três filmes diferentes em que ele é assassinado, esculachado e atacado com tapas e socos. Ao assisti-lo é possível perceber a luta deste ator ao enfrentar as dificuldades da vida cotidiana.

Esta é a sensibilidade da maioria de seus filmes. Andersen guarda espaço para todos, desde grandes atores a figurantes; desde locações emblemáticas a outdoors abandonados, sempre destacando o valor histórico de pessoas e lugares. Um exemplo é Get Out of the Car (2010), um filme paisagístico sobre letreiros desgastados, grafites, placas que informam sobre locais comunitários que foram destruídos pela especulação imobiliária e a respeito de importantes casas de shows de décadas passadas, em Los Angeles e em seus arredores. As imagens são acompanhadas por uma composição sonora que mistura músicas populares e comentários, ora sarcásticos, ora comoventes, gravados nas ruas ou reencenados.

 

CF: Andersen tem uma trajetória fragmentada na realização cinematográfica, com uma continuidade de produção entre curtas e longas verificada apenas nos últimos anos. Como os lançamentos de Hollywood Vermelha e, principalmente, Los Angeles por ela mesma, foram recebidos nos EUA? São essas as obras que mais influenciaram os outros artistas americanos contemporâneos com filmes na mostra? Quais são os principais destaques entre esses trabalhos?

AC/MS: Los Angeles por Ela Mesma é uma importante influência para a nova tendência da crítica cinematográfica, os chamados vídeo-ensaios. Foi o primeiro filme do diretor a receber muita visibilidade internacional, estreando no Festival Internacional de Toronto de 2003 e recebendo o prêmio de melhor filme do ano, e até da década, em votações de diferentes críticos e revistas norte-americanas como Cinema Scope e The Village Voice. Porém, a estreia comercial do filme veio apenas em 2014, quando foi remasterizado por Andersen e lançado em DVD e Blu-ray.

Pela abordagem política mais polêmica, Hollywood Vermelha não teve a mesma sorte, e apesar de ter sido exibido em alguns festivais (principalmente Locarno) e recebido uma crítica positiva de Jonathan Rosenbaum, se tornou um filme de nicho. O filme influenciou o convite feito à Andersen e à Bürch para uma curadoria de filmes enquadrados na Lista Negra para o Festival de Viena (Viennale) em 2000. Porém, foi apenas com sua remasterização, em 2013, que o filme teve mais visibilidade, recebendo distribuição para cinema e lançamento em DVD através da distribuidora norte-americana The Cinema Guild.

Por muitos anos os distribuidores e programadores temiam ser processados devido ao uso de cenas de filmes de grandes estúdios de cinema, porém esse medo era falso, pois de acordo com a lei de direitos autorais americana é possível fazer “uso justo” de cenas de filmes de terceiros com finalidade ilustrativa, argumentativa e educacional.

O aspecto educacional da obra de Andersen e sua personalidade altruísta influenciaram, direta ou indiretamente, os outros artistas que fazem parte da programação da mostra. Nós pensamos em selecionar colaboradores de Andersen para enfatizar as dimensões coletivas e colaborativas de seu trabalho. Todos os cineastas convidados estudaram ou deram aula na Escola de Cinema/Vídeo da California Institute of the Arts (CalArts), onde Andersen leciona. Selecionamos obras recentes de artistas ativos que se envolveram de diferentes formas com o trabalho de Andersen e que também possuem um trabalho pessoal muito interessante e diverso.

Ross Lipman é um dos restauradores de cinema mais importantes dos Estados Unidos, e seu filme Notfilm (2015) é o resultado de uma pesquisa que realizou durante o processo de restauração do único filme que o escritor Samuel Beckett realizou (chamado Film, de 1965). Lipman também foi responsável pela restauração de Eadweard Muybridge, zoopraxógrafo. Na mostra haverá uma sessão que reúne Notfilm e a nova restauração de Film.

Peter Bo Rappmund foi aluno de Andersen, trabalhou como cinegrafista em Reconversão (2012), sobre a obra do arquiteto português contemporâneo Eduardo Souto de Moura,e foi um dos dois editores das versões remasterizadas de Los Angeles por Ela Mesma e Hollywood Vermelha. Seus filmes presentes na mostra são lindas explorações de paisagens norte-americanas conduzidas por uma narrativa que levanta questões políticas e ecológicas sobre os lugares que registra. Em Tectonics (2012), Rappmund acompanha a placa tectônica presente na divisa entre Estados Unidos e México, e em Topofilia (2015), acompanha o maior oleoduto da América do Norte, que corta o estado do Alasca.

Adam R. Levine trabalhou nas remasterizações com Rappmund, em Reconversão como editor e em Get Out of the Car como cinegrafista e montador. Seu curta Koh (2010), filmado em 16 mm na costa da Tailândia, se estrutura como um poema de haicai. Hoje, Levine e Rappmund também lecionam em universidades nos Estados Unidos.

Por fim, Billy Woodberry, colega de anos de Andersen na CalArts, narrou Hollywood Vermelha e é representado em Los Angeles por Ela Mesma com seu primeiro longa, Bless Their Little Hearts, que realizou quando ainda era um estudante.

Woodberry é representado na mostra por seus dois filmes mais recentes: E quando eu morrer, não ficarei morto…(2015), sobre a vida do poeta negro beat Bob Kaufman, e Marseille Après La Guerre (2015), um poema visual que relaciona o trabalho do cineasta senegalês Ousmane Sembène na França com fotos de trabalhadores nas docas de Marselha, encontradas por Woodberry durante a pesquisa de E quando eu morrer…nos arquivos do National Maritime Union (Sindicato Nacional dos Trabalhadores Marítimos dos Estados Unidos).

 

CF: Do que se trata o longa-metragem mais recente de Andersen, Os pensamentos que outrora tivemos? 

AC/MS: Em Os Pensamentos que Outrora Tivemos Andersen intercala intertextos com frases do filósofo francês Gilles Deleuze dos livros A Imagem-Movimento (1983) e A Imagem-Tempo (1985), citações de outros artistas e filósofos e comentários seus com imagens de filmes antigos e recentes, criando uma reflexão sobre o cinema. O filme nasceu de uma aula que ministrou durante 25 anos na CalArts e reflete a estrutura de um seminário ao apresentar um diálogo entre diferentes vozes conduzidas por uma proeminente.

O filme não procura retratar a teoria de Deleuze, mas dialogar com ela, e consequentemente pode causar um estranhamento àqueles que esperam uma tradução literal dos conceitos descritos e exemplificados nos livros. As conexões são frequentemente poéticas, ao invés de literais.

Uma ideia de Deleuze é ilustrada por Andersen através de uma série de exemplos, escolhidos intuitivamente, que cobrem a história do meio cinematográfico. Por exemplo, a seção do filme que aborda o conceito de “imagem-afeição” começa com D. W. Griffith e termina com Pedro Costa, e a seção sobre o conceito de “movimento do mundo” e a função ontológica do travelling vai de Ascensor para o cadafalso (1957, Louis Malle) até trabalhos de Hou Hsiao-Hsien da virada do século XXI.

Andersen valoriza muito o tom esperançoso de Deleuze. Este argumenta que o cinema é um meio que se reinventa constantemente em consonância com a maneira como a humanidade se reinventou ao longo do século XX, e declara: “O cinema precisa filmar não o mundo, mas a crença neste mundo”. Porém, o filme também é muito crítico frente ao caminho desumano que a sociedade em geral tomou. Os Pensamentos que Outrora Tivemos secompartilha conosco, sendo o processo de assisti-lo uma experiência tanto privada quanto coletiva.

 

CF: Vocês gostariam de destacar mais alguma informação sobre a mostra?

AC/MS: É importante ressaltar algumas informações técnicas sobre a mostra. Os filmes serão apresentados em novas cópias digitais legendadas que foram produzidas pelo Andrew Kim, o montador de Andersen. O próprio Andersen (junto com sua esposa e colaboradora Christine Chang) estará presente na mostra para uma conversa aberta ao público com o pesquisador e programador de cinema Remier Lion Rocha no dia 14 de julho. O catálogo da mostra conta com textos críticos de Andersen ligados aos temas de seus filmes, uma entrevista inédita com Peter Bo Rappmund, e depoimentos de Adam R. Levine, Ross Lipman e Billy Woodberry sobre as suas obras selecionadas.

 

>>> Conheça a programação completa da mostra

 

Serviço

Mostra Hollywood e Além: O Cinema Investigativo de Thom Andersen

Data: De 8 a 17 de julho de 2016

Local: Centro Cultural São Paulo (Rua Vergueiro, 1.000 – Paraíso – São Paulo – SP)

Ingressos: R$ 3 (taxa de manutenção, sem direito a meia-entrada)

Telefone: (11) 3397-4002

Site:http://www.centrocultural.sp.gov.br/