Curador da Mostra de Cinema de Tiradentes desde 2007, Cleber Eduardo participou da criação da Mostra Aurora (seção competitiva para diretores com até três longas-metragens) e vem acompanhando de perto o surgimento de uma nova geração de cineastas brasileiros independentes. Durante a 18ª edição do evento mineiro, o Cine Festivais conversou com Cleber a respeito do cinema brasileiro contemporâneo, da inserção de nossos filmes em festivais internacionais e do perfil autoral da Mostra de Tiradentes (veja vídeo abaixo).

Para o curador, o cinema brasileiro vive um momento de transição. Cineastas consagrados, como Walter Salles e Fernando Meirelles, eventualmente têm filmes selecionados para festivais importantes, mas não vivem, em sua opinião, um bom momento criativo. Por outro lado, a geração mais recente de cineastas brasileiros ainda busca espaço em seções competitivas dos principais eventos do mundo.

“Os cineastas que estão surgindo nos últimos oito ou nove anos estão nessa fase de sair de lugar nenhum para algum lugar. Isso eu acho que eles alcançaram, pois estão viajando e entrando em mostras paralelas, eventualmente ganhando prêmios em festivais menores, mas ainda não são cacifados, não estão com agentes internacionais colocando eles mais próximos do poder central dos festivais. Acho que vai ser um curso natural das coisas adentrar a esse ‘filet mignon’ dos festivais internacionais, mas o momento é de firmar uma nova geração de autores”, opina Cleber Eduardo.

Com poucos filmes nas competições oficiais dos principais festivais do mundo nos últimos anos, o cinema brasileiro vem ganhando espaço em seções paralelas destes eventos. Só em 2015, o país já levou um filme para Sundance (Que Horas Ela Volta?, de Anna Muylaert, que levou um prêmio especial do júri pelo trabalho de suas atrizes), 14 títulos para o Festival de Berlim e outros 18 com produção ou coprodução brasileira para o Festival de Roterdã.

Nestes dois últimos eventos, nenhum dos trabalhos concorreu aos troféus das seções competitivas principais. Se, por um lado, este pode ser um objetivo a curto e médio prazos, Cleber Eduardo acredita que esta inserção deve ser natural, e não pode vir através de uma mudança de postura artística dos cineastas nacionais.

“O que a gente não pode é fazer uma pressão em cima dos filmes para que eles se tornem mais comerciais para entrar em festivais internacionais, porque se não nós estamos transformando os festivais em uma espécie de multiplex do cinema de autor. Aí eu sou contra. Eu prefiro que os filmes não entrem nos festivais e carreguem uma expressão dos seus cineastas. Isso é o principal e o primordial”, afirma.

Veja no vídeo abaixo a entrevista com Cleber Eduardo.

 

 

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>>> Entrevista com o diretor Allan Ribeiro

>>> Cobertura da 18ª Mostra de Tiradentes

 

Foto acima: Biel Machado/Universo Produção