O diretor Karim Aïnouz já estava desistindo de encontrar um ator de Fortaleza para o papel de Ayrton no filme Praia do Futuro. Após dois anos de busca – e muitos testes de elenco -, ele finalmente chegou ao nome de Jesuíta Barbosa, que até então nunca havia trabalhado no cinema. “Foi o melhor teste que eu fiz”, recorda Jesuíta, que participou, em São Paulo, de uma entrevista coletiva de lançamento do longa-metragem, previsto para chegar aos cinemas brasileiros no próximo dia 15 de maio.

Karim se lembra bem daquele teste (“foi em fevereiro de 2010”) e do principal motivo para a sua escolha (“o olhar dele era incrível”). Passados alguns anos, o lançamento de Praia do Futuro se dará em um momento em que Jesuíta já começa a trilhar um caminho de sucesso: eleito melhor ator no último Festival do Rio por seu papel em Tatuagem, de Hilton Lacerda, ele já trabalhou, entre outros projetos, na minissérie da TV Globo Amores Roubados, e está no elenco de Trash, filme dirigido pelo britânico Stephen Daldry que ainda será lançado.

Logo de cara, Jesuíta contracenou com dois dos atores mais importantes do cinema brasileiro recente: Irandhir Santos, em Tatuagem, e Wagner Moura, em Praia do Futuro. Neste último, ele faz um personagem que viaja a Berlim para reencontrar o irmão, que se apaixona por um alemão e se muda sem dar satisfações à sua família. A cena em que os irmãos voltam a se ver alguns anos depois do último encontro é um dos momentos mais impactantes do filme, e demandou um dia inteiro de filmagens.

O ator elogiou a convivência com Wagner, falou sobre a rápida ascensão na carreira e mostrou personalidade ao ser questionado sobre as cenas de relacionamento entre homens, que ocorrem tanto em Tatuagem quanto em Praia do Futuro. Leia a seguir as principais falas de Jesuíta Barbosa na coletiva do filme Praia de Futuro.   

 

Jesuíta (esq.) recebeu elogios de Karim Ainouz (centro) e Wagner Moura

 

Ascensão artística

“Eu sou tão feliz de ter feito o Tatuagem com o Hilton, sabe. Ele é a pessoa de coração mais puro que eu conheço. Ele me mostrou o que era cinema, me conduziu de um modo muito delicado. Depois juntou com o Praia do Futuro, que foi uma experiência muito transformadora e inovadora para mim, que nunca tinha viajado para outro país. Estou feliz com esse momento. Quero que apareçam coisas novas para que eu possa trabalhar mais, aprender mais e ficar mais forte a cada dia.”

 

Personagem homossexual?

“Acho que o Fininha, meu papel em Tatuagem, é um cara que está conhecendo o mundo. Então ele fica com quem ele quiser, faz o que quiser. É um menino curioso. Eu não o vejo como um personagem homossexual. Não pode tachar assim. Se alguém trata isso como uma questão, não pode trabalhar com arte. Um ator não pode ter esse bloqueio.”

 

Relação com Wagner Moura e futuro

“O Wagner é um cara muito gentil e carinhoso, que teve cuidado comigo. Rapidamente ele tirou esse estigma de pessoa famosa, que era algo que eu temia. Isso sumiu muito rápido e a gente se deu muito bem.”

 

Cena do reencontro de Ayrton (Jesuíta Barbosa) com Donato (Wagner Moura)

“Nós não sabíamos direito como essa cena seria. Ayrton chega com uma sensação de abandono. Eles não vão conversar e não sabem trocar palavras. Eles se reencontram com o corpo, se abraçam, se empurram.  A cena aparece para mim como o amor fraterno, os dois se amam muito. Levamos quase um dia inteiro para fazê-la. Repetimos muito.”

 

Preparação de elenco com a polêmica Fátima Toledo

“Foi a primeira vez que trabalhei com ela. Para mim foi fundamental, porque eu tenho uma timidez, sou delicado, e o Ayrton entra com muita força no filme. A gente fez muitos exercícios para encontrar isso. Acho que quem fala mais sobre a Fátima é quem não conhece o trabalho dela, quem só ouve falar. Ela foi importante para esse filme e para o meu personagem.”

 

Leia também:

- Wagner Moura fala sobre Praia do Futuro e elogia Jesuíta

- Entrevista com o diretor Hilton Lacerda, que dirigiu Jesuíta em Tatuagem