O Cine Festivais preparou um guia especial para ajudar os cinéfilos a escolherem os filmes que irão assistir no 20º É Tudo Verdade – Festival Internacional de Documentários, que acontece entre 9 e 19 de abril de 2015 em São Paulo e de 10 a 19 do mesmo mês no Rio de Janeiro, e que terá itinerâncias em Belo Horizonte (29 de abril a 4 de maio), Santos (7 a 10 de maio) e Brasília (27 de maio a 1º de junho).

Conheça abaixo nosso Guia do 20º É Tudo Verdade. (Clicando no tema de seu interesse o leitor será direcionado para os filmes desse grupo. Para regressar ao topo, basta clicar no botão “voltar” em seu navegador. Para conhecer os horários de exibição dos filmes, clique no nome das obras)

 

- Filmes ligados ao universo musical

- Documentários sobre política internacional

- Filmes ligados ao esporte

- Documentários de cineastas brasileiros que já venceram o É Tudo Verdade

- Documentários com viés pessoal

- Filmes que tratam de ditaduras latino-americanas

- Filmes com depoimentos de pessoas comuns

- Documentários sobre filmes icônicos

- Filmes que investigam tragédias

- Documentários sobre retorno ao lar

- Documentários metalinguísticos

- Filmes sobre minorias étnicas

- Documentários com memórias de cineastas

- Documentários relacionados à psicanálise

 

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Filmes ligados ao universo musical

- Eu Sou Carlos Imperial, de Renato Terra e Ricardo Calil

Carlos Imperial (1935-1992) foi uma figura ímpar do cenário cultural brasileiro. Mentiroso, marqueteiro, cafajeste e dono de um faro preciso para descobrir talentos – como Roberto e Erasmo Carlos, Tim Maia, Wilson Simonal e Elis Regina. Sem procurar maquiar o lado polêmico de seu protagonista, o filme reconstitui uma trajetória impregnada de ficção, realidade, lenda e memórias de vários que o conheceram.

- O que Houve, Srta. Simone?, de Liz Garbus

Equilibrando uma feroz dedicação à causa dos direitos civis e a expressão de múltiplos talentos, a pianista, compositora e cantora Nina Simone (1933-2003) é redescoberta neste documentário a partir de raros materiais de arquivo, alguns inéditos.

- Nelson dos Santos, de Paulo Silver e Albert Ferreira

Ex-agricultor e cortador de cana, acordeonista, compositor e mestre rabequeiro autodidata dos mais festejados do Brasil, o alagoano Nelson dos Santos desfia sua arte no manejo e na confecção das rabecas, em sua casa, em Marechal Deodoro (AL). Em seu ambiente, com a família, ele expressa sua condição humana singular.

- Premê – Quase Lindo, de Alexandre Sorriso e Danilo Moraes

Com quase 40 anos de estrada, o Premeditando o Breque, ou simplesmente Premê, é uma das bandas mais persistentes da cena musical paulistana. Nascido na Escola de Comunicações e Artes da USP, o grupo misturou gêneros musicais, instrumentos e danças irreverentes em suas disputadas apresentações ao vivo, que garantiram sua identidade eclética e o amor de seu público.

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Documentários sobre política internacional

- Cidadãoquatro, de Laura Poitras

Laura Poitras trabalhava num documentário sobre monitoramento e vigilância quando foi contatada online por alguém que se identificava como ”cidadãoquatro”, em janeiro de 2013. Vários e-mails depois, a cineasta e o repórter Glenn Greenwald – então no jornal inglês “The Guardian” – foram encontrá-lo pessoalmente em Hong Kong. Era Edward Snowden, o analista de sistemas, ex-contratado da CIA e da Agência Nacional de Segurança dos EUA (NSA), que denunciou os mecanismos de um incrível sistema de espionagem mundial da agência, tornando a palavra “privacidade” uma ficção, tanto para cidadãos comuns dos EUA, quanto para vários chefes de estado do mundo. Vencedor do Oscar de Melhor Documentário.

- Drone, de Tonje Hessen Schei

Há anos, sem que os EUA estejam em guerra contra o Paquistão, drones acionados a partir do deserto de Nevada provocam pesados danos e mortes, inclusive de muitos civis, naquele país. A diretora Tonje Hessen Schei traz a discussão para o centro do dilema de que o desenvolvimento tecnológico caminha mais rápido do que a legislação internacional.

- O Termo, de Pavel Kostomarov, Aleksandr Rastorguev e Alexey Pivovarov

A partir de 2012, quando Vladimir Putin iniciava seu segundo mandato como presidente, o documentário investiga os principais nomes da oposição ao homem que comanda a política russa há pelo menos 16 anos. Além das notórias roqueiras do Pussy Riot, ouve-se o político Sergei Udaltsov, um esquerdista radical; a âncora Ksenya Sobchak, a “afilhada” de Putin que deixou de apoiá-lo; e o advogado e blogueiro Aleksei Navalny, popular militante anti-corrupção que foi condenado à prisão por supostas fraudes e solto devido a manifestações populares.

- Dia da Vitória, de Alina Rudnitskaya

Diversos casais homossexuais falam sobre os devastadores efeitos em sua vida pessoal da introdução de uma lei na Rússia, em 2013, que proíbe a “propaganda de relacionamentos sexuais não-tradicionais entre menores de idade”. Passível de interpretações muito peculiares, a legislação, na prática, intensificou o sentimento de homofobia e intolerância na sociedade russa.

- 1989, de Anders Ostergaard e Erzsébet Rácz

A ascensão do jovem, Miklós Nemeth, como primeiro-ministro da Hungria, em 1989, terá efeitos imprevisíveis. Decidido a conter o rombo do orçamento nacional, ele corta as despesas do esquema de segurança das fronteiras. Ouvindo dizer que as fronteiras entre a Hungria e a Áustria estão abertas, um casal da Alemanha Oriental resolve fugir. Eles são pilhados no centro de uma guerra de bastidores dentro da Cortina de Ferro. O jovem alemão é morto. Pouco depois, cai o Muro de Berlim.

- O Outro Homem: F. W. De Klerk e o Fim do Apartheid, de Nicolas Rossier

Último presidente sul-africano do regime do apartheid, Frederik Willem de Klerk foi sempre considerado um enigma. As ambiguidades de um homem que, para muitos, foi o derradeiro representante de um sistema excludente e criminoso, para outros, um traidor oportunista da minoria branca, ou ainda uma figura de astúcia política essencial no encaminhamento de uma transição inevitável emergem ao longo de entrevistas com diversas figuras que conviveram com este eloquente senhor de 78 anos, que também dá seu depoimento. Analisa-se, então, sua drástica mudança de posição, de carcereiro de Nelson Mandela a seu vice-presidente, após as primeiras eleições pós-apartheid, em 1994.

- A França é a Nossa Pátria, de Rithy Panh

Valendo-se apenas de materiais de arquivo de diversas procedências, sem comentários em off nem trilha sonora, o destacado cineasta franco-cambodjano Rithy Panh passa em revista quase um século de colonização francesa na Indochina.

- Essa é a Minha Terra, de Tamara Erde

Realizado pela diretora israelense radicada em Paris Tamara Erde, o documentário examina de que maneira israelenses e palestinos ensinam a história de seus povos em suas respectivas escolas em Israel e na Faixa de Gaza. Acompanhando-se, ao longo de um ano letivo, as atividades de seis escolas independentes – apenas uma delas misturando alunos árabes e judeus – observa-se as dinâmicas pedagógicas e curriculares, que, quase sem exceção, limitam-se a ensinar os valores de seu próprio lado, ignorando o outro.

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Filmes ligados ao esporte

- Geraldinos, de Pedro Asbeg e Renato Martins

Construído em 1950 para a primeira Copa no Brasil, o Maracanã foi, por 60 anos, o espaço mítico do futebol-arte. Nesse território, a Geral era o lugar destinado ao povão. Não havia como jogadores e técnicos deixarem de ouvir as críticas e até xingamentos dos torcedores apaixonados. Dedicado à memória destes torcedores, o filme analisa as mudanças na reforma do estádio, em 2010, que decretaram não só o fim da concepção de um espaço para todos, mas a instalação de um modelo mais elitista de espetáculo e de cidade.

- Sou o Ringo, de José Luis Nacci

Lenda do boxe argentino, Oscar Natalio Bonavena, o “Ringo” (1942-1976), teve uma vida marcada por altos e baixos. Peso pesado e campeão argentino, derrotando o até então invencível Gregório Peralta, em 1965, sonhava com o título mundial. Midiático e provocador, tirou do sério até mesmo Muhammad Ali, que enfrentou em 1970, perdendo no último round. A obsessão por uma revanche contra Ali moveu-o a mudar-se para os EUA. Mas, em Nevada, “Ringo” encontrou a morte.

- Na Estrada com Sócrates, de Niko Apel e Ludi Boeken

Em 1984, o ex-líder estudantil, porta-voz da Primavera de 68 em Paris, Daniel Cohn-Bendit, visitou o Brasil, conhecendo Sócrates (1954-2011), expoente da então chamada “Democracia Corinthiana”. Trinta anos depois, durante a Copa do Mundo de futebol, o agora ex-deputado do Parlamento Europeu, volta ao país e, inspirado pelas ideias do jogador e ativista corintiano, percorre diversos locais num furgão, procurando investigar as influências do futebol sobre a sociedade e suas relações com a democracia.

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Documentários de cineastas brasileiros que já venceram o É Tudo Verdade

- Orestes, de Rodrigo Siqueira

A filha de uma militante política traída e executada, um policial, uma defensora da pena de morte, um ex-preso político, pais que perderam seus filhos e uma enfermeira que lida diariamente com o resultado da violência são alguns dos personagens que se confrontam nesta reflexão sobre os mecanismos da justiça e as possibilidades de resgate das culpas e dívidas de várias gerações. Fantasmas da ditadura, posições antagônicas sobre responsabilidade, ética e punição e os próprios ritos, tanto dos tribunais como da tragédia grega, são passados no fio da navalha, num processo em que a objetividade se procura, mas escapa. Rodrigo Siqueira venceu o É Tudo Verdade em 2010 com Terra Deu, Terra Come.

- A Paixão de JL, de Carlos Nader

Em janeiro de 1990, aos 33 anos, o artista José Leonilson começa a gravar, em fitas cassete, um diário íntimo. Comentários sobre os acontecimentos que sacudiam o país, em plena era Collor, e o exterior, como a queda do Muro de Berlim, percorrem suas confissões, bem como impressões sobre os diversos filmes a que assistia. Esses registros de um artista sensível e antenado à contemporaneidade, que a princípio não visavam mais do que testemunhar a sintonia entre sua vida e uma obra muito peculiar e intimista sofrem, no entanto, o impacto da descoberta de que Leonilson é portador do HIV. A incerteza e a urgência passam a impregnar os seus relatos. Carlos Nader venceu o É Tudo Verdade em 2008 (Pan-Cinema Permanente) e 2014 (Homem Comum).

- Cidade Vazia, de Cristiano Burlan

O reverso da metrópole que nunca pode parar: os momentos em que São Paulo desliga de tudo e simplesmente adormece. Burlan venceu o É Tudo Verdade em 2013 com Mataram Meu Irmão.

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Documentários com viés pessoal

- A Festa e os Cães, de Leonardo Mouramateus

Nas ruas de um subúrbio de Fortaleza, os cães foram chegando e dominando o território. Esta matilha vadia se junta em bando, à noite, como que recuperando seu estado selvagem e recusando sua tradicional submissão ao homem.

- Urso, de Pascal Florks

Ainda que seu avô nunca falasse diretamente sobre seu passado nazista, o tema sempre pairou fantasmagoricamente em torno dele. Revisitando sua vida, o cineasta Pascal Flörks reavalia e coloca em perspectiva o peso desta herança inescapável.

- Se Mamãe Não Está Feliz, Ninguém Está, de Mea De Jong

Proveniente de uma família que chegou à quarta geração de mulheres independentes, que se viraram na vida sem contar com um relacionamento de longo prazo com homens, a cineasta Mea de Jong volta sua câmera para sua mãe, Laura, e ela mesma. Seu pai e ex-namorados também são chamados a dar sua versão num filme que investiga a peculiaridade deste clã feminino.

- Um Filme Perdido, de Eduardo Amaro

Ao reencontrar imagens antigas de seus pais, um homem na meia-idade refaz o traçado da própria infância, planejando transmitir a própria história a seu filho. Mas, para isso, é necessário enfrentar uma série de emoções e experiências irresolvidas, comuns não só à própria existência, mas a muitas outras.

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Filmes que tratam de ditaduras latino-americanas

- Seus Pais Voltarão, de Pablo Martínez Pessi

Em 1983, dois anos antes do fim da ditadura uruguaia instalada dez anos antes, chega a Montevidéu um avião, vindo da Europa, repleto de crianças. Eram 154 ao todo, com idades entre 3 e 17 anos. Todas filhas de exilados políticos, cujos pais ainda não podiam retornar e os mandavam para conhecer seus parentes. A manifestação que os recebeu, com um coro em uníssono “seus pais voltarão”, foi um dos episódios preparando a redemocratização do país. Mas a viagem teve outro efeito na vida daqueles meninos, forçados a reconstruir uma identidade forjada longe das próprias raízes. Seis deles falam hoje dessa perspectiva de “filhos do exílio” e da experiência de uma infância inusitada.

- Tempo Suspenso, de Natalia Bruschtein

A cineasta Natalia Bruschtein tinha um ano quando chegou ao México com sua mãe, Shula, em agosto de 1976. Ambas fugiam da ditadura argentina, que fizera desaparecer sete membros da família, o pai de Natalia, o avô, cinco tios e tias. Sua avó, Laura Bruschtein Bonaparte, uma das fundadoras das Mães da Praça de Maio, nunca esmoreceu numa luta incansável para que aqueles crimes não fossem esquecidos e para que houvesse esclarecimentos e reparações. Na velhice, sua própria memória foi-se desvanecendo, só assim aliviando a dor uma mulher que nunca vacilou na busca de manter viva a história não só de sua família, mas de todos os mortos sem sepultura dos anos de chumbo.

- Tempestades nos Andes, de Mikael Wistrom

A figura de Augusta La Torre, sua tia e primeira esposa do líder do Sendero Luminoso, Abimael Guzmán, é um mito na família de Josefin. A moça nasceu na Suécia, filha do irmão exilado de Augusta. Contra a vontade da família, mas desejosa de descobrir a verdade, Josefin viaja ao Peru. A princípio, Flor Barbarán, irmã de um desaparecido, a rejeita, já que credita a tragédia de sua família aos parentes de Josefin. Este conflito fornece a base deste documentário, que reconstitui episódios que lançaram o Peru numa guerra interna por 20 anos.

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Filmes com depoimentos de pessoas comuns

- Últimas Conversas, de Eduardo Coutinho

Realizado a partir de entrevistas feitas com jovens estudantes brasileiros pelo cineasta Eduardo Coutinho antes de sua morte (em fevereiro de 2014), o filme busca entender como pensam, como sonham e como vivem os adolescentes de hoje. O material foi editado por sua parceira de longa data, a montadora Jordana Berg, e a versão final é assinada por João Moreira Salles.

- Supercondomínio, de Teresa Czepiec

Construído na década de 1960, no centro de Katowice, um gigantesco edifício, o maior de toda a Polônia, abriga cerca de 3.000 pessoas em 762 apartamentos, distribuídos em 15 andares. Num labirinto de corredores e escadas, cada porta guarda uma história de vida. Algumas delas se abrirão para compartilhá-la.

- A Vida que a Gente Só Ouve Falar, de Julia Tami Ishikawa

Quando não se sabe ler e a percepção do mundo depende de ouvir, tudo é diferente. Experiências e histórias que nunca puderam ser escritas, vindo de Manari (Pernambuco) a Franco da Rocha (São Paulo), encontram sua expressão nestas imagens.

- Carregador 1118, de Eduardo Consonni e Rodrigo T. Marques

O filme acompanha o cotidiano de Antonio da Silva, veterano carregador de caixas de mercadorias no CEAGESP, maior entreposto comercial da América Latina. Imigrante nordestino, ele vive em São Paulo desde 1969, mantendo desde então uma vida dura, de incerteza econômica e também amorosa. Neste momento, ele está se separando da mulher. Mas não há tempo de parar para rediscutir a relação, o trabalho o espera. Quando chega a noite, ele guarda suas poucas coisas num armário lá mesmo e sai para os bares, para a cachacinha nossa de cada dia.

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Documentários sobre filmes icônicos

 

- Chamas de Nitrato, de Mirko Stopar

O paralelismo entre glória e tragédia unindo o clássico de Carl Theodore Dreyer, “O martírio de Joana D’Arc” (1928), e sua carismática protagonista, a atriz Renée Falconetti – também conhecida como Maria Falconetti – é o fio condutor deste filme apaixonado por ambos. Baseado em materiais de arquivo, o diretor Mirko Stopar traça a trajetória da atriz desde a feérica Paris dos anos 1920 até a sombria Buenos Aires dos anos 1940, onde ela terminou seus dias entre a miséria e o esquecimento, seguindo o destino da obra-prima de Dreyer, desaparecida até o início da década de 1980, quando uma cópia foi reencontrada num hospício norueguês.

- Seguindo Nazarin: O Eco de Uma Terra em Outra Terra, de Javier Espada

Diretor do Centro Buñuel de Calanda, terra natal de Luis Buñuel (1900-1983), o cineasta Javier Espada segue as pegadas do grande mestre aragonês para a realização de “Nazarin”, um dos grandes trabalhos de sua fase mexicana, vencedor do Grande Prêmio do Júri em Cannes em 1959. Munido de uma velha câmera Leica, idêntica àquela usada por Buñuel para a realização das fotos prévias das locações, no estado de Morelos, Espada redescobre os cenários e bastidores da produção. Além disso, entrevista pessoas que conheceram o diretor e também cineastas, como os mexicanos Arturo Ripstein e Carlos Reygadas.

- Moana Sonoro, de Robert J. Flaherty & Frances Hubbard Flaherty (1926) e Monica Flaherty (1980)

Em 1923, o cineasta norte-americano Robert Flaherty escolhe a ilha de Savai’i, na Polinésia, como cenário de seu novo filme “Moana”, que retratava o modo de vida local, visando repetir o sucesso de “Nanook, o Esquimó” (22). Cinquenta anos depois, a filha de Flaherty, Monica, que vivera em Savai’i na infância, volta ali para sonorizar “Moana”, introduzindo sons e canções. A versão sonora foi lançada em Paris, em 1981, com a colaboração dos cineastas Jean Renoir e Richard Leacock. Em 2014, este trabalho de Monica foi objeto de uma restauração digital pelo cineasta Sami van Ingen (tataraneto de Flaherty) e o curador Bruce Posner, sendo os sons remixados por Lee Ditcher.

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Filmes que investigam tragédias

- Chamada de Emergência – Um Mistério de Assassinato, de Pekka Lehto

O documentário examina as circunstâncias por trás de um assassinato na cidade de Ulvila, no oeste da Finlândia, cujo esclarecimento permanece em aberto há anos, desafiando a compreensão do público e da justiça.

- Pekka, de Alexandre Oey

Em novembro de 2007, o jovem Pekka Eric-Auvinen, de 18 anos, matou oito pessoas a tiros numa escola em Jokela, uma cidadezinha tranquila nas imediações de Helsinque. Reconstituindo-se as circunstâncias do chocante acontecimento, com depoimentos de colegas de classe, professores e seus pais, além de diversas imagens colocadas no YouTube pelo próprio Pekka, vem à tona detalhes de uma personalidade atormentada, solitária e destrutiva, afetada por anos de bullying e um possível autismo.

- Morte Branca, de Roberto Collío

Recorrendo a técnicas de animação, associadas a imagens convencionais e uso de sons, reconstitui-se a tragédia de 44 soldados e um sargento, que encontraram a morte, na região montanhosa de Antuco, Chile, seguindo até o fim as ordens de seus superiores – apesar de uma tremenda nevasca no caminho.

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Documentários sobre retorno ao lar

- O Retorno, de Juan Pablo Ríos

45 anos atrás, as sete irmãs da família Castaño abandonaram sua terra natal, Marulanda, pequena cidade nas montanhas colombianas. Originalmente, eram 19 irmãos, filhos de Don Luis, dono do bar que era o ponto de reunião da população local. A partir do momento em que o pai toma uma trágica decisão, movido pela dor, seus filhos passam a ser discriminados pelos habitantes, até então seus amigos. Unidas para proteger a mãe da descoberta da verdade, as irmãs refazem a vida em outro lugar. Agora, chegou o momento do retorno.

- Caminho de Volta, de José Joffily e Pedro Rossi

André Câmara é um fotógrafo brasileiro de 45 anos, que há duas décadas vive em Londres. Maria do Socorro, 87 anos, há 25 anos trocou o Brasil pelos EUA, para acompanhar o filho, Fernando. Tanto André quanto Maria querem voltar a viver no Brasil. Nessa tentativa, as dificuldades se acumulam no caminho de André, que necessita não só reatar laços afetivos, como profissionais. Nenhum deles tem ideia precisa de que país encontrará pela frente, depois de tanto tempo distantes. O lugar de onde partiram não é mais o mesmo que haviam deixado. Entre a emigração e o retorno às raízes, uma nova identidade terá que ser forjada.

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Documentários metalinguísticos

- Sete Visitas, de Douglas Duarte

Investigar os mecanismos do documentário de entrevistas é um dos objetivos deste filme, que coloca diante das câmeras Silvana, mulher que teve uma vida cheia de percalços e superações, e também seus diversos entrevistadores – como a escritora Ana Paula Maia, o documentarista Eduardo Coutinho, as terapeutas Monica Oliveira e Lucia Tui, o psiquiatra Moisés Groisman e o juiz Fábio Uchoa. Diante de cada um deles, Silvana responde, mas também indaga, permitindo o lançamento de olhares múltiplos sobre uma história de vida a que se incorpora também alguma parte da singularidade dos entrevistadores.

- Um Filme de Cinema, de Walter Carvalho

Um cinema abandonado e em ruínas no interior da Paraíba é o cenário inicial de um filme sobre o cinema, que viaja nos depoimentos do romancista e dramaturgo Ariano Suassuna e de inúmeros cineastas – Ruy Guerra, Julio Bressane, Ken Loach, Andrzej Wajda, Karim Ainouz, José Padilha, Hector Babenco, Vilmos Zsigmond, Béla Tarr, Gus Van Sant, Jia Zhangke e outros. Todos respondem a duas perguntas básicas: por que fazem cinema e para que serve a sétima arte, expondo suas ideias sobre tempo, narrativa, ritmo, luz, movimento, sentido da tragédia, os desejos do público e as fronteiras com outras artes.

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Filmes sobre minorias étnicas

- Cordilheira de Amora II, de Jamille Fortunato

Moradora da Aldeia Amambai, no Mato Grosso do Sul, perto da fronteira do Brasil com o Paraguai, uma indiazinha Guarani Kaiowá, Karine Martines, de 8 anos, transforma seu quintal num experimento do mundo. Contando com nada mais do que folhas, tijolos e pedaços de papel e madeira, ela cria, com sua imaginação, histórias e personagens que alargam sua solidão em brincadeiras, sonhos e projetos.

- #73, de Rekesh Shahbaz

O avanço do Estado Islâmico no Iraque e na Síria deixou um rastro de execuções em massa, escravidão e perseguições religiosas, como ocorre contra a minoria yazidi da região do Curdistão, que combina elementos do zoroastrismo, islamismo e cristianismo. O filme acompanha um jovem que retorna à sua aldeia sitiada para salvar seus pais idosos que ficaram para trás.

- Uigures, os Prisioneiros do Mundo, de Patricio Henriquez

Em outubro de 2001, como parte de uma campanha de endurecimento da repressão ao terrorismo, os EUA invadem o Afeganistão. Paralelamente, oferecem altas recompensas a quem entregar membros da Al-Qaeda. Vinte e dois integrantes da minoria uigur, que vieram da China fugindo de perseguições, são vendidos aos norte-americanos como terroristas. Vão parar em Guantánamo, onde permanecem presos por 11 anos e sem um processo formal.

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Documentários com memórias de cineastas

- Dois Homens e Uma Guerra, de Robert Drew

O documentarista norte-americano Robert Drew (1924-2014) reconta sua experiência como piloto de combate na II Guerra Mundial. Alistado aos 19 anos, o mais jovem da Força Aérea, recebeu preciosas lições de sobrevivência de seu pai, também piloto e lutando na mesma guerra. No front, o jovem Drew conhece o correspondente de guerra e vencedor do Pulitzer Ernie Pyle, cujos relatos o inspiraram muito além daquela época, nutrindo sua futura carreira. Com imagens de arquivo – inclusive de seu próprio esquadrão -, fotos e depoimentos, o cineasta reconstitui aqueles dias e a dramática fuga que empreendeu a pé, por três meses e meio, na Itália ocupada pelos nazistas, depois de ser abatido, em janeiro de 1944.

- Como Cheirar Uma Rosa: Uma Visita com Ricky Leacock à Normandia, de Les Blank e Gina Leibrecht

Em 2000, o cineasta norte-americano Les Blank visita o colega britânico Richard Peacock em sua casa, na Normandia. Entre refeições, passeios e conversas entre as bucólicas paisagens do norte da França, Leacock recorda momentos de sua longa carreira, ele que foi um dos pioneiros na introdução do Cinema Direto na América, liberando, com suas inovações técnicas e estilísticas, os documentaristas em direção a uma forma mais natural de registro do momento presente. Depois da morte de ambos, a parceira de Blank, Gina Leibrecht, montou o material, permitindo o acesso a esta extraordinária e calorosa troca de informações entre estes dois excepcionais expoentes de sua arte.

- A Ilha que Era, de Alberto Gambato

Em 1954, o diretor neorrealista Renato Dall’Ara juntou-se a um grupo de amigos e cinéfilos comunistas para realizar seu primeiro curta-metragem. O cenário foi a ilha de Scano Boa, uma estreita faixa de areia que separa o delta do rio Pó do mar Adriático. Único sobrevivente da trupe, Lamberto Morelli recorda a aventura.

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Documentários relacionados à psicanálise

de profundis

- De Profundis, de Isabela Cribari

Deslocados para um novo local após a inundação da antiga cidade, devido à construção de uma hidrelétrica, os moradores de Itacuruba (PE), a 500 km de Recife, apresentam um índice de suicídios dez vezes maior do que a média nacional. A cineasta e psicanalista Isabela Cribari registrou suas vozes e um retrato das dores reprimidas.

- Retrato de Carmen D., de Isabel Joffily

Psiquiatra e psicanalista gaúcha radicada no Rio, Carmem Dametto tem 72 anos. Autora de vários livros e defensora de uma abordagem terapêutica não ortodoxa, ela atende hoje seus pacientes num consultório localizado em sua ampla casa, de onde praticamente nunca sai. Sua companhia constante é a filha Marcela, que sempre gostou de nadar na piscina do jardim. Hoje, não mais.

- O Claustro, de Jay Rosenblatt

Partindo de histórias reais e de estudos realizados por um amigo psicanalista, o diretor Jay Rosenblatt focaliza a situação de três mulheres encapsuladas na condição de isolamento psicológico descrita como “claustro”.