De tão confiante, Marco Antônio Pereira já havia preparado um banner do curta-metragem Alma Bandida com a logomarca do Festival de Roterdã. Apesar de formado há anos na Escola Livre de Cinema, em Belo Horizonte, as produções que realizara até então tinham caráter institucional ou educacional, longe dos holofotes dos festivais de cinema. Só em julho do ano passado que ele decidiu começar a investir em projetos com linguagem autoral. Realizando sua obra em Cordisburgo, pequena cidade mineira mais conhecida por ser a terra natal de Guimarães Rosa, Marco Antônio não tinha nenhum elemento concreto para sustentar a crença de que iria participar de um dos maiores festivais de cinema do mundo. A confiança perdeu o caráter ilusório quando o Festival de Berlim – e não o de Roterdã – selecionou seu filme para a competição oficial de curtas (a estreia aconteceu na última sexta (16)). No mesmo mês de dezembro, seu outro trabalho, A Retirada para um Coração Bruto, entrou na lista principal da 21ª Mostra de Tiradentes, da qual saiu com o prêmio de melhor curta-metragem pelo Júri Popular em janeiro.

No período seguinte à conclusão do curso de Cinema (feito em paralelo à formação em Jornalismo), Marco Antônio rodou por diferentes cidades brasileiras com o projeto da Oficina Móvel de Cinema, que vai até escolas, comunidades, centros culturais, igrejas e ONGs para oferecer a jovens um mini-curso de audiovisual ao final do qual os alunos produzem um curta-metragem. Ele também produziu muitos filmes de encomenda (documentou casamentos, projetos sociais etc.). “Nesses oito anos eu peguei experiência e amadureci na linguagem. Há uns dois anos eu percebi que já estava dominando aquilo ali. Se você for assistir Alma Bandida, é um exemplo de montagem, os cortes são uma coisa brutal, sabe? Lógico que eu estou defendendo o meu filme, mas por que a mulher de Berlim viu esse filme de um desconhecido e decidiu colocar ele lá? Porque tem alguma coisa boa, né?”, diz o cineasta, que admite que utiliza a formação como comunicador para promover o seu trabalho.

Além de assessor de imprensa dos próprios filmes, Marco Antônio assina todas as funções técnicas de seus curtas. O único auxílio vem da esposa, quando há alguma necessidade de produção. A escolha dos atores também parte de uma vivência pessoal. Em A Retirada para um Coração Bruto, que conta a história de um viúvo em luto que recebe uma visita de outro mundo, o protagonista é o poeta Manoel do Norte, seu vizinho e amigo em Cordisburgo. Já em Alma Bandida o personagem principal – um cantor de funk que tem o objetivo de comprar um carro e se casar com a namorada – é interpretado por Rafael Evangelista, que fez parte de um projeto social capitaneado pelo cineasta na cidade.

Durante a 21ª Mostra de Tiradentes, o Cine Festivais conversou com Marco Antônio Pereira a respeito de sua inusitada trajetória e sobre seus planos futuros. Aos 30 anos, ele não se vê como um cineasta de carreira, mas deseja deixar a sua marca como diretor nos próximos cinco anos. Uma meta? Quer ganhar a Palma de Ouro no Festival de Cannes. E depois deixar o cinema.

 

Cine Festivais: Queria que você começasse contando sobre sua trajetória e a respeito de como se deu essa sua ligação com o cinema.

Marco Antônio Pereira: Eu nasci e morei em Cordisburgo (MG) até os 18 anos. É uma cidade pequena, do interior, portanto lá o tempo e o modo de vida são diferentes. Aos 18 anos, ganhei uma bolsa no Prouni e fui estudar Jornalismo em Belo Horizonte. Foi só nessa época que eu fui ao cinema pela primeira vez. Estava passando uma programação da mostra Curta Circuito, era uma videoarte do Nam June Paik. Eu me lembro que foi um negócio mágico ver aquela tela grandona, me apaixonei por aquilo.

Pouco depois, paralelamente ao Jornalismo, eu consegui uma bolsa na Escola Livre de Cinema de Belo Horizonte. Me formei nos dois cursos, trabalhei um pouco em jornalismo, mas desde aquela época eu já tinha decidido que queria estar nesse meio do cinema. Só que o cinema para mim é mais do que o ato de produzir filmes; eu vejo o cinema como uma ferramenta para encontrar pessoas. Porque além de fazer filmes eu quero trazer alguma coisa boa para o mundo, eu sou meio idealista nesse sentido.

Baseado nisso, um tempo depois eu me mudei para Campinas e comecei lá um projeto chamado Oficina Móvel de Cinema, no qual eu vou a diferentes lugares e desafio jovens a produzirem um filme em três dias. E nesse período eu tento incentivá-los a acreditar em si mesmos, falando que eles podem fazer uma faculdade…. tem um pouco essa coisa de projeto social.

E junto a isso eu fiz muita coisa. Por exemplo, tinha um missionário que foi abandonado lá no final do Brasil, e eu fui lá e fiz um vídeo pra ele. Eu fazia esses vídeos institucionais, de encomenda. Até que em um desses cursos que eu participava em Campinas um professor me viu e me sugeriu passar um tempo em Nova York: “eu estou morando lá, é um lugar legal para você entender o funcionamento de muita coisa.” Então eu vendi uma guitarra minha, consegui o visto e fui para Nova York. Passei seis meses lá, formatando esse projeto (da Oficina Móvel de Cinema), e quando voltei eu me casei.

Então, em julho do ano passado, eu pensei: “olha, eu já rodei praticamente o Brasil inteiro, já ajudei muita gente, já me ferrei muito, queimei equipamento ajudando os outros, fazendo vídeo para projeto social, mas agora tenho que pôr o pé no chão e investir na minha carreira como cineasta.” Eu tinha muito essa coisa de ser altruísta, de ajudar todo mundo, e realmente ajudei. Mas depois que casei e nasceu meu filho, o Joãozinho, a situação mudou.

Foi nesse período que eu produzi A Retirada para um Coração Bruto. Para fazer esse filme eu chamei o Manoel do Norte, que mora atrás da minha casa. O meu processo de fazer filmes é rápido, porque eu faço praticamente tudo sozinho. É desgastante e rápido ao mesmo tempo. Eu finalizei esse filme para ser o meu cartão de visitas, para que soubessem que existe alguém em Cordisburgo que está fazendo filmes. Então eu comecei a mandá-lo para vários festivais, recebi dezenas de “nãos”, e em outubro do ano passado ele estreou na Mostra Mimo de Cinema, com exibições em Paraty e no Rio de Janeiro. Até o fim do ano ele tinha sido exibido oito vezes, sendo que três delas fora do País, no Canadá, em Portugal e na Rússia, mas só em festivais menores, praticamente não deu repercussão. Mas nesse processo eu já estava fazendo o Alma Bandida, que é o meu segundo curta.

 

Em que mês?

Comecei a filmar o Alma Bandida em outubro, só que ele é fruto de um projeto chamado Arte e Vocação. No primeiro semestre do ano passado eu comecei a acompanhar seis garotos que estavam em situação de risco na minha cidade, Cordisburgo. Produzi músicas com eles, clipes, e fui colocando na cabeça deles que eles poderiam correr atrás dos sonhos. No final dos seis meses de projeto foi todo mundo debandando e só sobrou o Rafael (protagonista do curta-metragem). A gente tinha um relacionamento de confiança e ele aceitou fazer o filme. Então, em outubro mesmo, a gente fez o Alma Bandida. Foram quatro dias gravando, três dias editando e mais uns dois dias finalizando. Eu faço praticamente tudo nesse processo, só conto com o auxílio da minha esposa na produção. Em outubro mesmo o filme já estava pronto, e aí o inscrevi nos festivais de Roterdã e Berlim.

 

O cineasta Marco Antônio Pereira

 

A temática do sonho por condições materiais melhores já foi fartamente explorada pelo cinema. O que você acha que o Alma Bandida tem a trazer de novo a esta discussão em termos de linguagem cinematográfica?

Não existe nada de novo debaixo do sol. Eu gosto da ideia do que parece ser, mas não é. Vejo Alma Bandida muito mais como um filme sobre paixão do que qualquer outra coisa. E paixão talvez seja o tema mais ‘batido’ da história da Arte. Mas a paixão em Alma Bandida se materializa de uma forma alegórica, extravagante, diferente de tudo que já vi. Os cavalos e as vacas, os buracos, a camisa, a mise-en-scène, tudo tem um significado que, por escolha pessoal, eu não quis deixar nítido. Assim, acho que a temática do sonho por condições materiais melhores é apenas um detalhe por meio do qual se projeta a paixão melancólica e a crônica daquele rapaz.

 

E como foi o processo de seleção do filme para o Festival de Berlim?

Como disse anteriormente, eu pensei em fazer A Retirada para um Coração Bruto para me apresentar aqui no Brasil e o Alma Bandida para tentar entrar em um grande festival internacional. Lógico que naquele momento era só uma ambição, porque seria difícil para um cara de Cordisburgo fazendo filme sozinho, mas à medida que eu fui produzindo o Alma Bandida eu vi que estava saindo meio que um filme sobrenatural, sabe? Estava gostando do filme, e já tinha certeza que ele iria entrar em Roterdã.

No momento de inscrever o filme em Berlim eu não tinha o dinheiro para a inscrição. Mas eu acredito muito em Deus, flagra? Eu falei: “Deus, eu não tenho os 80 euros para mandar essa parada, mas eu tenho que fazer esse pessoal ver esse filme.” Aí eu mandei no e-mail da curadora (Maike Mia Höhne), na tora. É até louco falar isso. Escrevi a mensagem vendendo meu peixe, dizendo “eu sei que você gosta de descobrir pérolas, então assista a esses dois filmes, que são diferentes de tudo o que você já viu”.

Só que eu já estava confiando que o Alma Bandida entraria em Roterdã, até fiz um banner com a logo de Roterdã. Aí o festival ficou enrolando, e quando enrola muito é porque você não foi selecionado. Até que chegou 4 de dezembro, que é uma data que mudou a minha história. Eu cheguei em casa e tinha um e-mail @berlinale. Estava em alemão, porque eu tinha escrito para ela em alemão.

 

Você fala alemão?

Não, mas usei o Google Tradutor. Eu acredito que se você falar a língua da pessoa você toca o coração dela… Aí estava lá o e-mail com um texto gigante em alemão escrito “Alma Bandida” no meio. Nessa hora eu até tremia. A mensagem falava que ela estava especialmente interessada no Alma Bandida e perguntava se ele já tinha sido exibido. Eu falei que só tinha inscrito em Roterdã, mas que se eles me convidassem eu preferia mil vezes Berlim. E no dia seguinte chegou um e-mail com o convite oficial, com pdfzinho assinado. Na hora eu até chorei. Comecei a exibir filmes em outubro, e em dezembro já tinha esse convite da Berlinale. É um feito que ninguém botaria fé, um filme de Cordisburgo em Berlim.

 

 

Sua ideia é seguir morando e fazendo filmes em Cordisburgo?

Não, eu planejo me mudar, mas antes disso quero fazer cinco curtas em Cordisburgo, aproveitando a paisagem e as coisas de lá. Já fiz os dois primeiros, e por enquanto está dando certo. Quando o pessoal de Berlim mandou a seleção do Alma Bandida eles pediram para não divulgar a notícia, o que é um terror, porque você quer contar para todo mundo. Eu fiquei me segurando com medo de eles mandarem um e-mail dizendo “foi um engano, seu filme não foi selecionado”. (risos) Aí todo dia eu abria o e-mail da Berlinale, lia, abria o PDF com a logozinha… Pra mim, que saí de Cordisburgo, é uma coisa bem louca. Não vou falar nem Berlim, estar em Tiradentes é quase igual a Berlim para mim. E a seleção do Retirada para a Mostra Foco foi depois, no dia 20, quando a ida do Alma Bandida para Berlim nem tinha sido divulgada. Aí mandei e-mail perguntando se era a Mostra Foco mesmo, porque eu sou muito pessimista, preciso perguntar para ver se a coisa é aquilo mesmo.

 

E como foi que você encarou essa transição tão rápida para esse universo do cinema e dos festivais?

Eu gravo muitos vídeos falando sobre coisas da vida, vídeos ‘sem noção’. Gosto muito de fazer isso e de fazer oficinas. Mas chegou uma hora em que eu falei que precisava parar de falar – queria fazer um negócio louco, que a galera fosse ver e gostar. Claro que a oficina já é um projeto legal, mas pensei: “tem muita gente não me dando valor, agora preciso fazer um negócio grande para depois mostrar para elas onde eu cheguei e servir como inspiração.”

Um dia eu estava assistindo a série Vikings com a minha esposa, e ela comentou como eles eram implacáveis. Podia ter 200 pessoas contra 1000, que eles iam lá e lutavam. Eu fiquei com isso na cabeça… Acho que as pessoas devem ser implacáveis com aquilo que elas querem. Por exemplo: eu tenho um negócio com Cannes, quero ganhar a Palma de Ouro. Então vou ser implacável com isso. Não estou falando para você ser um cara chato e ficar no pé dos caras pedindo para eles selecionarem o seu filme. Isso não funciona. Mas eu vou entender a parada, ver qual é a lógica de funcionamento, e a partir daí fazer o negócio acontecer.

Isso tem a ver com um amadurecimento pessoal. Nesses oito anos em que fiquei ajudando muitas pessoas, eu peguei uma experiência e amadureci na linguagem. Há uns dois anos eu percebi que já estava dominando aquilo ali. Se você for assistir Alma Bandida, é um exemplo de montagem, os cortes são uma coisa brutal, sabe? Lógico que eu estou defendendo o meu filme, mas por que a mulher de Berlim viu esse filme de um desconhecido e decidiu colocar ele lá? Porque tem alguma coisa boa, né?

 

Que tipo de filme você via pela TV em Cordisburgo? E hoje em dia, qual é a sua relação com cinema brasileiro?

Na minha infância a TV de casa pegava basicamente a Globo. Eu via esses filmes da Sessão da Tarde, Tela Quente, mas nunca fui muito cinéfilo. Sobre os diretores que eu gosto atualmente, posso citar três: Gaspar Noé, Michel Gondry e Gus Van Sant. São artistas que me influenciam muito. Aqui no Brasil gosto muito do Cao Guimarães, sempre termino os filmes dele com outro pensamento de mundo. E o último filme que me tocou muito foi o Muro, do Tião.

 

E o que exatamente você acha que o seu cinema busca?

Sou um cara que quer quebrar paradigmas e ser vanguarda em alguma coisa. Quero criar um negócio novo, mas não sei se vou conseguir. A minha vontade é de fazer filmes que a galera nunca viu. O Retirada… faz um pouco isso, mas não de um modo muito extremo. Acho que o Alma Bandida consegue ir um pouco além, e o terceiro curta (Teoria sobre um Planeta Estranho, em finalização) mais ainda.

Não falando mal – jamais! –, mas o Adirley (Queirós) falou que é tão legítimo ele fazer o que ele deseja quanto o cara sair no meio da sessão. Eu já quero fazer um filme para abraçar quem está assistindo, compartilhar uma coisa brutal, gostosa, com afeto. O pessoal que veio falar comigo depois da sessão do Retirada… disse que achou que o filme teria uma vibe ruim, mas terminou a sessão alegre. Eu tenho buscado muito isso, a esperança. Por isso tento quebrar tudo, e quando você pensar que eu fazendo um negocio sério eu fazendo uma piada, flagra?

 

Uma coisa interessante é como você naturaliza dentro da narrativa os elementos de absurdo. Para o Ozório de A Retirada para um Coração Bruto não é nada surpreendente a visita de um disco voador, por exemplo…

Essa coisa do absurdo e do grotesco se repete nos três filmes. No Alma Bandida passa um ônibus brilhando, como se fosse a paixão do cara materializada num objeto. Eu penso em trazer essas coisas absurdas, mas que para os personagens ali dentro são normais, a exemplo do disco voador que o Manoel do Norte recebe na casa dele no Retirada… No meu terceiro filme o cara encontra Deus em um lugar, e isso é normal. Ele só fica surpreso por ele ser baixinho. E o Deus do filme fuma e ouve Black Metal, tudo isso vai estar lá no Teoria sobre um Planeta Estranho. Eu me permito ir para esse lado, quebrando a lógica e construindo um universo que seja gostoso de ver.

 

A sua relação com o Manoel do Norte no filme parece sempre horizontal. Ele parece ter domínio da cena, em nenhum momento pensamos que ele esteja sendo manipulado pelo filme, e sim encaramos ele como mais um criador da obra. Como se deu esse contato?

Eu conheço o Manoel há muito tempo. É até estranho uma amizade entre um senhor e um cara mais novo, né? A gente tem muita confiança um no outro, então não teve muito segredo. Eu propunha situações, e ele ia trazendo coisas. Ele inventou o nome do personagem (Ozório), inventou o jeito de falar as coisas. Tinha uma coisa de respeito a ele: eu deixava ele construir as coisas na cabeça dele. Algumas ficavam, outras eram limadas no processo e a gente refazia.

 

 

E as ideias para os próximos filmes? Tem todas na cabeça? Já escreveu os roteiros?

Não anoto nada. Só quando vou filmar que escrevo algumas coisas, basicamente os diálogos. Os próximos filmes estão todos aqui na cabeça. Para ninguém copiar, né? Eu já tenho para um longa, vou tentar falar sobre ela nos encontros que tiver em Berlim. Mas quero seguir fazendo curtas, não penso em ficar um ano parado para preparar um longa.

Também não quero ser esse cara que vive em festivais. Quero que meu rolé seja até os 35 anos. Fiz o que queria? Agora vou cuidar das pessoas que eu encontrei nesse rolé, vou andar com elas, ver elas lançando filmes…

 

Você tem quantos anos?

30. Com 35 eu quero ganhar a Palma de Ouro em Cannes. Eu tenho um propósito de ralar nesses próximos cinco anos. Quero fazer um longa de super-herói que seja louco, que a galera vai assistir em peso, vai ser tipo um Tropa de Elite da vida. Não sei se vou conseguir, mas eu também não tenho nada a perder. Eu vim de lugar nenhum, indo pra lugar nenhum, só de estar aqui eu estou feliz.

 

Por que cinco anos?

Porque esse rolé de cinema é desgastante. Pra colocar o filme aqui no DCP você não sabe o quanto eu ralei. Quase desisti de colocar o filme em Berlim, porque você fica respondendo e-mail em alemão, em inglês, manda ProRes pra lá, manda PDF pra cá. E eu faço tudo: pôster, assessoria de imprensa. Cheguei quase no ponto de surtar mesmo, porque tenho que cuidar da família, do menino que está com seis meses. Sem contar que isso (cinema autoral) não traz dinheiro agora. O que está me sustentando é um filme que estou fazendo para uma igreja de Sete Lagoas.

 

*O repórter viajou a convite da 21ª Mostra de Tiradentes