Em seu livro “Boca do Lixo – Cinema e Classes Populares”, o pesquisador Nuno Cesar Abreu descreve o trinômio no qual se baseavam os trabalhos que viriam a ser rotulados como “pornochanchadas”: erotismo + baixo custo + título apelativo. Indo a esses trabalhos que se popularizaram na década de 70, a diretora Fernanda Pessoa teve a ideia de utilizá-los para contar a história do Brasil daquele momento, buscando entender como essas obras se constituem como documentos históricos que comentam direta ou indiretamente temas como sexualidade, economia e política. Nasceu daí o filme Histórias que Nosso Cinema (Não) Contava, que fez a sua estreia na 20ª Mostra de Tiradentes, dentro da Mostra Aurora, seção competitiva de longas-metragens.

Foi trabalhando na filmoteca da Faap, faculdade onde se formou em Cinema, que Fernanda entrou em contato com muitos desses filmes nacionais da década de 70 e começou a perceber “que tinha algo muito mais complexo” ali. A pesquisa para o filme começou anos depois, e ao todo Fernanda assistiu a cerca de 130 filmes do período com o objetivo de fichá-los para este futuro trabalho, sendo que 30 deles permaneceram no corte final, ao qual chegou após um processo de cinco anos.

Em entrevista ao Cine Festivais em Tiradentes, no dia seguinte á primeira exibição de Histórias que Nosso Cinema (Não) Contava, Fernanda falou sobre o processo de realização do filme e comentou algumas de suas escolhas formais.

 

 

*O repórter viajou a convite da organização do evento