Na 49ª edição do Festival de Brasília, ocorrida em setembro, A Cidade Onde Envelheço (dir: Marília Rocha) recebeu os principais prêmios do júri oficial – filme, direção, atriz e ator coadjuvante. O júri popular acolheu a verve política de Martírio (dir: Vincent Carelli), enquanto os críticos decidiram por laurear a história de resistência rural de Rifle (dir: Davi Pretto).

Em 2017, todos estes trabalhos vão chegar ao circuito comercial por meio da Sessão Vitrine Petrobras, projeto que realiza a distribuição coletiva de filmes brasileiros, incluindo coproduções internacionais, exibindo um recorte da produção audiovisual contemporânea. O primeiro filme a ser exibido é justamente A Cidade Onde Envelheço, que chegou aos cinemas nesta quinta, 9 de fevereiro.

A iniciativa alcançará ao menos vinte cidades, com programação contínua lançando um filme a cada duas semanas, com o preço dos ingressos não ultrapassando a barreira dos R$ 12 (inteira). Pré-estreias com a presença de diretores vão ocorrer em algumas localidades a cada novo lançamento.

A Sessão Vitrine teve edições anteriores em 2011 e 2013, nas quais revelou diretores de talento no jovem cinema independente brasileiro, como Adirley Queirós, Allan Ribeiro, Gabriel Mascaro, Guto Parente e Maria Clara Escobar.

Diretora da distribuidora Vitrine, Silvia Cruz já havia contado em 2014, em entrevista ao Cine Festivais, que o projeto necessitava de outro modelo financeiro, agora proporcionado pelo patrocínio obtido junto à empresa estatal.

“A ideia da Sessão Vitrine vem muito de festivais, de criar uma marca, uma ideia de evento que vai além do filme. Mas, como os festivais, precisaria de dinheiro. Ela não pode depender da renda da bilheteria, e por isso que é interessante que receba um subsídio ou patrocínio. Do jeito que estava, em salas comerciais, concorrendo diretamente com as grandes produções, fica inviável”, disse Silvia na ocasião.

Diretores com filmes escolhidos para serem exibidos neste ano na nova Sessão Vitrine, Davi Pretto e Leandra Leal se declararam, antes de tudo, espectadores das edições anteriores do projeto, e comentaram as expectativas para o lançamento de seus trabalhos.

“Os filmes selecionados para a Sessão Vitrine buscaram modelos de produção e formas de realização diferentes do tradicional. Quando chega na hora de distribuir, tentar lançar de maneira tradicional acaba sendo um pouco estranho, porque a gente sabe que vai naufragar na maioria das vezes. Com esse projeto a gente pode resistir não só através das histórias que contamos, mas também fazer uma tentativa de resistência dentro do circuito comercial”, comentou o diretor de Rifle.

“Eu como atriz participei do lançamento de mais de 20 filmes, e eu vejo o limbo em que caem vários filmes, como eles não são tratados com a atenção devida. Às vezes você vai brigar por lugar ao sol com um filme gigantesco, é uma briga desigual. A Sessão Vitrine, além de dar oportunidade de ter um tempo fixo em cartaz para cada filme, está aberta a estratégias diferenciadas para pensar qual o melhor caminho para chegar ao público”, apontou Leandra, diretora do documentário Divinas Divas, que será lançado em uma data próxima à Parada LGBT, tentando fazer um elo com a temática do filme – um retrato do primeiro grupo de artistas travestis do Brasil.

O projeto dará a possibilidade para que um número maior de espectadores assista a Martírio, documentário sobre o genocídio Guarani Kaiowá que vem acumulando prêmios de público desde a estreia, no Festival de Brasília.

“Para um filme que tem 2h40, se chama Martírio, e tem uma dramaticidade progressiva, o ambiente da sala de cinema é o grande espaço, aquele capaz de provocar um impacto maior nas pessoas. Nosso trabalho fala de um genocídio que está acontecendo toda semana, então temos muita preocupação em ampliar o conhecimento do público em torno deste tema”, apontou o diretor Vincent Carelli.

Uma novidade desta edição da Sessão Vitrine é a inclusão de coproduções internacionais dirigidas por cineastas estrangeiros. É o caso de Los Territórios, de Iván Granovsky (Argentina); Invisible, de Pablo Giorgelli (Argentina); e O Ornitólogo, de João Pedro Rodrigues (Portugal). Este último foi o filme-sensação da edição passada do Festival de Locarno e foi exibido algumas vezes no Brasil em festivais como o Janela Internacional do Recife e o Mix Brasil.

Também serão lançados neste ano filmes que ainda nem tiveram sequer uma exibição em festivais, casos de Meu Corpo é Político, de Alice Riff, e Paulistas, de Daniel Nolasco.

Conheça a seguir os filmes já confirmados na Sessão Vitrine Petrobras.

 

A Cidade onde Envelheço, de Marília Rocha

Ficção | 2016 | 99’ | Brasil-Portugal

DATA DE ESTREIA: 9 de Fevereiro de 2017

 

Waiting for B, de Paulo Cesar Toledo e Abigail Spindel

Documentário | 2016 | 72’ | SP

DATA DE ESTREIA: 2 de Março de 2017

 

Jonas e o Circo sem Lona, de Paula Gomes

Documentário | 2015 | 81’ | BA

DATA DE ESTREIA: 16 de Março de 2017

 

O Ornitólogo, de João Pedro Rodrigues

Ficção | 2016 | 118’ | Portugal-França-Brasil

DATA DE ESTREIA: 30 de Março de 2017

 

Martírio, de Vincent Carelli, e co-dirigido por Ernesto de Carvalho e Tita

Documentário | 2016 | 160’ | PE

DATA DE ESTREIA: 13 de Abril de 2017

 

Rifle, de Davi Pretto

Ficção | 2016 | 88’ | RS

 

Taego Ãwa, de Henrique Borela e Marcela Borela

Documentário | 2016 | 75’ | GO

 

Muito Romântico, de Melissa Dullius e Gustavo Jahn

Ficção | 2016 | 72’ | Brasil-Alemanha

 

Elon não Acredita na Morte, de Ricardo Alves Jr

Ficção | 2016 | 75’ | Brasil – Argentina

 

Divinas Divas, de Leandra Leal

Documentário | 2016 | 110’ | RJ

 

Corpo Delito, de Pedro Rocha

Documentário | 2016 | 74’ | CE

Los Territórios, de Iván Granovsky

Documentário | 2017 | 93’ | Argentina-Brasil

 

INÉDITOS

Invisible, de Pablo Giorgelli

Ficção | 2017 | 90’ | Argentina – Brasil

 

Meu Corpo é Político, de Alice Riff

Documentário | 2017 | 71’ | SP

 

Paulistas, de Daniel Nolasco

Documentário | 2017 | 76’ | GO/RJ