2017 foi um ano em que a cidade de Cachoeira, no interior da Bahia, ganhou destaque no cenário cinematográfico nacional. O curso de Cinema e Audiovisual da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), criado há dez anos, vem formando cineastas que circulam com destaque por grandes eventos. A síntese desse momento se deu no Festival de Brasília do ano passado, onde na competição oficial foram exibidos o longa Café com Canela, de Ary Rosa Duarte e Glenda Nicácio, e o curta As Melhores Noites de Veroni, de Ulisses Arthur. Já entre os trabalhos exibidos no FestUniBrasíla – 1º Festival Universitário de Cinema de Brasília estavam O Arco do Medo, de Juan Rodrigues, que levou o troféu de Melhor Filme, e Fervendo, de Camila Gregório, que levou a estatueta de Melhor Direção.

O filme de Camila foi a primeira produção do coletivo Feito a Facão, criado no ano passado e formado também por Bebeto Júnior, Erick Lawrence, Iago Cordeiro Ribeiro e Maria Clara Arbex. O curta-metragem tem como locação principal um banheiro e retrata a relação de duas amigas adolescentes, sendo que uma delas encara uma gravidez indesejada e decide abortar. “Eu sabia que queria fazer um filme que tocasse na questão do aborto, fosse contado por adolescentes e não trouxesse uma visão estereotipada sobre o tema (com sangue, feto, sofrimento…). A intenção era tocar nesse tema de forma responsável, mas também com leveza”, explica a diretora, que trouxe para a narrativa elementos comuns ao cotidiano de jovens, como posts de Snapchat e áudios de Whatsapp.

Natural de Salvador, Camila ainda não concluiu o curso na UFRB, mas não pensa em se mudar de Cachoeira quando se formar: quer “ficar lá pra sempre”. Depois de Fervendo, o coletivo Feito a Facão realizou outros três filmes (o documentário admin/admin, já lançado em festivais, e os ainda inéditos Talha e Recolchete), e novos projetos estão sendo desenvolvidos.

Durante o 7º Olhar de Cinema – Festival Internacional de Curitiba, onde Fervendo foi exibido na seção Outros Olhares, o Cine Festivais conversou com Camila Gregório a respeito do coletivo Feito a Facão, do cenário cultural em Cachoeira e do processo criativo para a realização do primeiro curta-metragem do grupo, entre outros temas.

 

Como foi esse processo de encontrar a sua turma em Cachoeira e começar o coletivo Feito a Facão?

Em Cachoeira existe uma produção de cinema muito forte, todo mundo está envolvido em algum tipo de projeto, como exibições em escolas, curadoria de mostras e cineclubes… É tudo muito movimentado criativamente. Eu participei de outros grupos, fiz parte do Cineclube Mário Gusmão, estava integrada em algumas atividades, mas eu sentia falta de ter um grupo mais voltado para a produção, um coletivo. Eu sentia que sempre que a gente formava uma nova equipe era necessário se adequar ao tempo de cada um… Então foi uma ideia do Iago [Cordeiro Ribeiro], um dos integrantes. Ele falou “vamos montar um coletivo para que a gente crie com frequência, se encontre toda semana, pense filmes, vá construindo…” Aí a gente decidiu se reunir e percebeu logo que tinha muita liga. A gente conseguiu entender e respeitar o processo criativo e o tempo de cada um. Atualmente o coletivo tem um pouco mais de um ano, e nós já produzimos quatro curtas, conseguimos manter um ritmo legal. Também fazemos outros trabalhos [cobertura de eventos] que acabam sendo uma forma de conseguir dinheiro para produzir nossos curtas.

 

Já são quatro filmes? Como funciona essa divisão de projetos?

Lançamos no ano passado Fervendo e admin/admin, e outros dois ainda não foram exibidos: Recolchete, dirigido por Maria Clara Arbex, e Talha, dirigido por Bebeto Júnior. A gente meio que faz um ciclo entre os integrantes. O Erick (Lawrence) não se interessa tanto pela direção, ele está sempre pensando a direção de fotografia. E o Iago está desenvolvendo uma ideia para a gente gravar. A gente tenta sempre não monopolizar muito. E é importante citar que há a assinatura da direção, mas sempre assinamos os filmes como criações colaborativas do coletivo, até porque todo mundo discute sobre todas as escolhas.

 

E como foi o processo criativo de Fervendo, que foi justamente o filme inaugural do coletivo?

A gente se reuniu e pensou assim: qual é o tipo de história que a gente precisa contar? Como é que a gente pode fazer um filme? Então começamos a nos articular em torno disso, e era nítido que tinha que ser uma coisa bem simples em termos de produção: poucos personagens, poucas locações… Aí me veio essa ideia do Fervendo, que era bem inicial. Eu sabia que queria fazer um filme que tocasse na questão do aborto, fosse contado por adolescentes e não trouxesse uma visão estereotipada sobre o tema (com sangue, feto, sofrimento…). A intenção era tocar nesse tema de forma responsável, mas também com leveza. A gente começou a elaborar os caminhos para fazer isso, aí entramos em um processo coletivo que resultou no filme.

 

Sobre a relação que seu filme estabelece com as mídias sociais, lembrei dos curtas do Marcus Curvelo (principalmente de Ótimo Amarelo) em que as mídias sociais são utilizadas muito fortemente como elementos narrativos. Você vê alguma relação com esses filmes? O que você pensou sobre a potência narrativa das redes sociais durante o processo de Fervendo?

Nunca tinha parado para pensar nessa relação, na verdade. Acho que talvez seja uma coisa geracional. Não foi inspiração pro Fervendo. Mas eu acho que… (pausa) Tem uma fala do Edgar Navarro feita em um momento em que a Bahia estava em uma crise financeira tão grande, estava tão difícil fazer cinema, que ele começou a brincar dizendo que a gente teria que começar a fazer cinema sem câmera. É algo legal para pensar, talvez tenhamos uma criatividade para lidar com a falta de recursos.

Fazer um filme como admin/admin, todo realizado com imagens de arquivos, é também uma forma de fazer um filme, conseguir passar uma mensagem, sem precisar ir pro set gravar, pegar equipamento, etc. Então talvez seja uma forma de articular e integrar esse tipo de produção de imagens.

Mas no caso de Fervendo muito da inspiração para usar imagens do snapchat vem de sentir que as personagens mais jovens, em muitos filmes que eu vi, são abordadas quase que com o olhar muito do outro, sabe? Com um olhar muito externo. E eu queria que a produção delas de imagens entrasse como um meio para o filme contar a história daquelas personagens, que a relação delas se desenvolvesse através do celular. Primeiro por uma situação do roteiro: ela não sai muito do banheiro, ela não tem muita privacidade, então a forma que ela encontra de se comunicar com o mundo e de se articular com outras pessoas, de se expor, está relacionada com Whatsapp e Snapchat. O primeiro como comunicação e o segundo como uma forma de se apresentar para o mundo.

A Ticiane, personagem do filme, poderia escrever, tocar violão, gostar de se apresentar num teatro, mas para mim o Snapchat vem como forma de expressão artística da personagem, e a sociedade não costuma enxergar essas mídias dessa forma. Eu acho que a partir delas as pessoas constroem narrativas, se colocam como personagens, escolhem a forma de se apresentar para o mundo. Vejo isso muito como um processo criativo, e queria trazer para o filme.

 

Em Fervendo há dois registros de direção, um vindo das imagens captadas pelo celular e o outro vindo da “câmera da diretora”. Isso serve para criar um afastamento entre esses dois momentos, mas ao mesmo tempo eu não vejo o filme querendo fazer um julgamento no sentido de “olha, ela está passando por uma crise com a amiga, mas mesmo assim segue se divertindo na internet”, que seria um caminho de ridicularizar a rede social, falar que é fútil. Havia esse risco, né?

Eu corria esse risco. É uma coisa que eu fiquei muito alerta, porque eu não vejo a rede social dessa forma, como algo fútil. Não queria que parecesse bobo. Principalmente essa questão que você fala de ela estar passando por aquela situação e continuar se expressando dessa forma. Eu tinha muito medo de parecer que elas não estavam se importando com a gravidez, podia chegar próximo de uma banalização de uma gravidez na adolescência. E eu acho que o filme não tem esse resultado porque eu fiquei muito atenta para não deixar que ele corresse para esse lado. Eu queria mostrar as personagens como duas meninas muito conscientes do que estava acontecendo, mas que não sabiam lidar com aquilo, porque não existe um preparo para lidar com aquilo. São pessoas muito jovens… Então a forma que elas encontraram foi a de ajudar e confiar uma na outra, estarem juntas e buscarem também esses momentos de descontração.

 

Você também trabalha como preparadora de elenco. Como surgiu seu interesse pela função?

Quando entrei na faculdade comecei a ter interesse por preparação de elenco. Era uma área que me interessava muito, e eu comecei a atuar nessa função nos exercícios da faculdade. E quando começou a pré-produção de Café com Canela eu fui convidada por Ary e Glenda para ser preparadora do filme. Foi o meu primeiro trabalho profissional nessa função.

 

A preparação de elenco é uma função bem típica do cenário brasileiro, e há diversas variáveis metodológicas entre os profissionais que atuam nessa área. Como funciona o seu trabalho como preparadora?

Eu não penso neste trabalho como uma preparação para aquilo que o diretor quer. Acho que isso é parte do trabalho do diretor também, preparar os atores e lidar com eles. O que eu penso muito é como chegar perto de uma profundidade do personagem. Então geralmente meu trabalho é próximo com os atores, de fazer estudo do roteiro e pensar quem é esse personagem, elaborar construções sobre o personagem que cada um está trabalhando e sobre como eles se relacionam entre si. É um jogo mais de trazer o personagem para o corpo.

Eu não trabalho nessa coisa de chegar na exaustão, no limite, à beira de alguma coisa. Eu tenho uma linha muito tênue de não passar do trabalho do diretor, que sempre é muito forte com os atores, e também de não passar por cima do trabalho dos atores de construir o próprio personagem. Então acho que o que eu faço é mais articular esse processo criativo, entender como cada ator trabalha e fazer a articulação. Pensar atividades para o set, para aquele filme, para aquele roteiro, volta sempre mais pra construção. É quase que um processo criativo também.

 

E como isso se deu no Fervendo?

No Fervendo isso é muito forte. A Manu, que faz a Sara, já tinha experiência em teatro e pouca experiência no cinema, mas a Aíla nunca tinha feito nenhum filme. Então ela chegou um pouco receosa, queria saber como seria, e o processo foi interessante porque eu tentei buscar nelas referências do que tinham ouvido ou observado na militância, enquanto pessoas políticas. Aí a gente fez um brainstorming de ideias, e lembro que muito das experiências que a gente já tinha ouvido falar ou já tinha passado por ajudaram na construção do roteiro. Foi uma coisa de colocar a preparação de elenco como algo que é capaz de mudar a etapa do roteiro, mesmo que essa etapa seja anterior. De construir junto, trazer pro personagem, pensar quem é essa menina, como ela se relaciona, o que ela fazia. A gente debateu muito como seria esse universo da Ticiane para além do banheiro. É uma coisa que não seria mostrada, mas que poderia trazer algo para a atuação da Aíla. Esse é um dos exemplos.

 

O coletivo Feito a Facão (com Camila Gregório à esquerda)

 

Por que o foco na amiga, e não na personagem que iria fazer o aborto?

Foi uma escolha porque eu acho que o aborto precisa ser debatido, principalmente no cinema, de formas mais expandidas. Eu acho que o que todo mundo pode fazer pela temática é ser compreensivo e estar disponível pra ouvir, pra debater, pra conversar. Me interessa muito mais abordar a negociação, a procura pelo remédio, a forma de ela se sentir perdida, a tentativa de ajudar uma amiga, de estar próxima, do que mostrar uma menina que estivesse com a barriga crescendo, se sentindo enjoada, com medo… Pra mim era mais importante a tentativa de conseguir as pílulas e a relação de amizade e compreensão do que o processo da gravidez ou do aborto. Como a gente vive em um país no qual o aborto é ilegal, o que é mais perigoso, o que mata mais, o que dá mais medo, o que é mais perigoso é a desinformação e a falta de apoio.

 

Às vezes eu fiquei um pouco confuso com a narrativa do Fervendo, porque desde o cartaz a gente sabe quem é a protagonista e meio que já pensa que ela vai fazer aborto. E conversando com pessoas após a sessão eu vi que tinha uma dúvida nesse sentido. Foi uma reação que já houve em outras exibições?

Já houve sim, e ela não era de todo esperado. Eu tinha a intenção de que parecesse que poderia ser com qualquer pessoa, que poderiam ser ambas. E também que ela levasse a sério a situação da amiga dela como se estivesse acontecendo com ela. Mas sim, acho que fica um pouco confuso, tem quem fique meio perdido.

 

Quando ela está falando no Whatsapp o pensamento que temos é que talvez ela possa estar mentindo para a mulher para quem ela pede pílula..

Porque é sempre em terceira pessoa, né? A gente nunca pode falar de si, porque é ilegal.

 

Você tinha essa intenção de falar sobre o aborto no cinema de uma maneira particular. Chegou a ir atrás de contraexemplos? Penso no filme romeno 4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias, que também trata sobre aborto. Você chegou a vê-lo? Gosta dele?

Assisti a ele há muito tempo e lembro muito fortemente que foi uma sessão em que eu queria vomitar. Era uma tensão que ia pro corpo, tem uma coisa de te deixar inquieta, de causar incômodo, e lembro de achar isso bem legal. Parecia quase que um jogo de RPG, de aquela coisa não ter fim. Primeiro é preciso conseguir o dinheiro, depois aparece outro obstáculo, e assim vai, parece que não tem fim. Minha lembrança é de gostar dessa sensação, e acho que Fervendo tem um pouco disso também.

Sobre contraexemplos eu não fiz uma pesquisa tão forte porque acho que está muito vivo no imaginário popular o que se espera quando falamos de filmes com abortos. Uma coisa de ter muito sangue, um close em um feto deformado, muito sofrimento…

 

E tem banheiro sempre.

E tem banheiro, é.

 

Então é uma coisa também de ressignificar esse banheiro?

De ressignificar esse banheiro e de trabalhar com esse imaginário popular. Quando a Ticiane bota o celular no chão e a gente perde a referência de imagem, ali a gente segue tendo o referencial que está no imaginário de todo mundo. Então a minha ideia era também trabalhar com imaginários: imaginário do avô, que é um parente um pouco mais rígido que não dá espaço para a privacidade; imaginário de uma casa; imaginário da adolescência; imaginário de relacionamentos. Trabalhar com o que a gente já tem de referências, e às vezes não é necessário a gente reproduzir elas novamente. Talvez tentar de uma nova forma. E também ressignificar isso para que não tenhamos uma única referência.

 

Agora queria tocar na questão da utilização da voz e dos letreiros que informam um caminho seguro para mulheres que querem abortar ou que conhecem alguém nessa situação. Falando em imaginário, se formos pegar aquilo que a gente costuma pensar como correto no cinema, certamente haveria uma tela preta e essa informação, se viesse, apareceria depois que houvesse um tempo de fruir aquela cena final. E essa entrada muito brusca é inclusive uma opção formal interessante, porque rompe muito fortemente a fronteira da diegese e faz um chamamento à vida social. Você contou que várias pessoas sugeriram mudar essa inserção. Queria que você falasse sobre essa convicção de mantê-la no corte final.

Já na primeira versão do roteiro era uma coisa que a gente nunca teve dúvida. Era muito certo pra gente que faríamos isso. E quando exibimos o filme para pegar opinião, no primeiro corte, todo mundo via como um erro, ou então como uma coisa meio ingênua, por eu ser muito nova, como se eu não tivesse ainda entendido como as coisas funcionavam. Então eu entendo que foi um gesto de as pessoas falarem “por que você não tira?”, “por que não faz dessa forma?”. Não era tanto de ditar alguma coisa ou de manter uma regra. Mas como o cinema tem um modo de fazer, há uma expectativa sobre como um filme deve ser, então é compreensível que Fervendo fuja disso e cause esse estranhamento inicial. Poderia parecer um erro ou uma coisa de alguém que não sabe muito bem o que está fazendo, e na verdade para a gente não era assim, nós debatemos muito e queríamos realmente trazer a inserção como parte do filme, e não como algo que acontece depois dos créditos ou coisa do tipo.

Tenho um apreço muito grande por todo tipo de arte que tenha como um dos objetivos também ser útil, e como eu e as meninas do filme somos feministas estamos envolvidas com a questão do aborto, era muito importante pra gente usar esse espaço. Se a gente está fazendo um filme sobre isso, por que não falar sobre isso? Então a gente não queria que fosse só na narrativa que tivesse uma personagem falando sobre a organização de apoio às mulheres ou dando outras informações sobre o tema, a gente queria que fosse muito comprometido. Tipo, tem essa galera aqui que se juntou, tem acesso a comprimidos, atendimento médico, ao melhor tipo de informação, então por que não colocar isso, como filme? É um gesto super rigoroso, mas para mim era muito necessário. Acho que a gente pode pensar também num cinema que seja voltado para a informação, sem necessariamente prejudicar a narrativa. Era um gesto nosso de dizer “isso precisa estar junto com o filme”, “a gente pode usar o cinema para isso”.

 

Pensando nisso me vem à cabeça duas palavras que nesse universo da crítica e mesmo da realização costumam ser mal vistas e colocadas como algo ruim a priori: didatismo e panfletarismo. Eu gosto de como a Amaranta Cesar (professora da disciplina de Documentário na UFRB) tensiona esse senso comum que se estabeleceu sobre filmes panfletários. Como que essa opção tomada pelo filme está relacionada às discussões vindas da universidade e da cidade?

Lá em Cachoeira a gente tem um grupo de pessoas que pensa muito o cinema como uma possibilidade de luta, de um filme ser também uma arma, uma atividade de embate. Há uma ideia de que o cinema tem que trazer uma perspectiva política, é uma coisa muito presente nos alunos, e o corpo acadêmico também acompanha isso.

Eu cito o Lincoln Péricles, realizador de São Paulo, como um exemplo. Ele tem uma pegada que me atraiu quando vi os filmes deles. Eu olhei e falei: “nossa a gente também pode fazer filmes assim, sabe?” Não ter medo de experimentar para esse lado, do que é didático, do que é panfletário, porque talvez seja necessário, é também uma forma de construir. Acho que panfletário é uma palavra muito vista pelo sentido pejorativo, mas traz um ponto positivo muito forte, que é o do posicionamento. Acho que todos os filmes que são panfletários passam claramente onde se posicionam, e o cinema que eu quero fazer pede que a gente sempre se posicione, que eu nunca esteja neutra ou buscando uma imparcialidade.

 

E quando você quer permanecer na cidade depois de se formar na UFRB?

Com certeza vou morar em Cachoeira, sou apaixonada pela cidade e acredito muito que o cinema tem que ser interiorizado. Eu não vejo por que sair de lá, apesar de a cidade ter as suas dificuldades. Eu abri minha produtora (Tribuzana) lá, comprei terreno na cidade, meu plano é ficar lá pra sempre.

 

E isso certamente influencia o tipo de produção que vocês fazem…

Completamente. É parte do nosso processo pensar como a gente se articula enquanto produção (uma produção menos hierárquica), pensar questões de gênero muito relacionadas com a cidade, pensar como esse filme seria recebido em Cachoeira… muda nossa lógica de fazer. E tem muito também de usar a própria cidade e o ritmo dela como inspiração para nossos filmes. Café com Canela, de Ary e Glenda, tem muito isso. Acho que Talha, que ainda vamos lançar, também busca um ritmo de Cachoeira; o filme que eu estou escrevendo agora, também. A gente usa a própria cidade e essa região para pensar nas narrativas que a gente quer contar.

 

 

Leia também:

>>> Crítica sobre Fervendo

 

*O repórter viajou a convite do 7º Olhar de Cinema