Entre 2 e 26 de maio de 2017, o Cinusp exibirá a mostra Documentário/Ficção – Intersecções. A programação propõe filmes que transgridem as fronteiras tradicionais entre essas duas categorias, atravessando os limites estético-formais de seus códigos de articulação cinematográficos.

A seleção favorece obras que desafiam esferas pré-disponíveis de representação, ao mesmo tempo em que diferem em termos de conjuntura histórica. O que haveria em comum entre Nanook, o Esquimó, de Robert Flaherty, Sombras, de John Cassavetes, e A Cidade É Uma Só?, de Adirley Queirós, seria a experimentação sobre as grandes premissas que dominam o documentário e a ficção, sendo aquele atrelado à narrativa do real e este, à encenação.

Conheça a seguir a programação completa da mostra Documentário / Ficção – Intersecções

 

02/5 – TERÇA

16h – Nanook, O Esquimó

19h – Um Homem com uma Câmera

 

03/5 – QUARTA

16h – Verdades e Mentiras

19h – Close-up

 

04/5 – QUINTA

16h – Isto não é um filme

19h – Sombras

 

05/5 – SEXTA

16h – Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo

19h – Eu, um Negro

 

08/5 – SEGUNDA

16h – Close-up

19h – Verdades e Mentiras

 

09/5 – TERÇA

16h – Dez

19h – As Bicicletas de Belleville (sessão Cinema e Corpo)

 

10/5 – QUARTA

16h – A Batalha de Argel

19h – Nanook, O Esquimó

 

11/5 – QUINTA

16h – Um Homem com uma Câmera

19h – Culloden + O Jogo da Guerra

 

12/5 – SEXTA

16h – 24 City

19h – A Imagem que Falta

 

15/5 – SEGUNDA

16h – No Quarto da Vanda

19h – Dez

 

16/5 – TERÇA

16h – Sombras

19h – Santiago

 

17/5 – QUARTA

16h – Culloden + O Jogo da Guerra

19h – 24 City

 

18/5 – QUINTA

16h – A Cidade é Uma Só

19h – Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo

 

19/5 – SEXTA

16h – Jogo de Cena

19h – The Connection

 

22/5 – SEGUNDA

16h – The Connection

19h – A Batalha de Argel

 

23/5 – TERÇA

16h – A Imagem que Falta

19h – Jogo de Cena

 

24/5 – QUARTA

16h – Santiago

19h – Isto não é um filme

 

25/5 – QUINTA

16h – 24 City

19h – No Quarto da Vanda

 

26/5 – SEXTA

16h – Eu, um negro

19h – A Cidade é Uma Só?

 

Sinopses e fichas técnicas

24 City (Er Shi Si Cheng Ji)

China, 2008, 112’

direção: Jia Zhang-Ke

sinopse: A fábrica estatal 420 e seus dormitórios populares, que existem há 50 anos na província de Chengdu, na China, estão sendo demolidos para dar lugar ao condomínio 24 City, um complexo de apartamentos de luxo. Acompanhamos as histórias ficcionalizadas de três mulheres cujas existências foram marcadas pelo trabalho na fábrica. Paralelamente, cinco homens que fizeram parte da vida dessas mulheres dão seus depoimentos reais para a câmera. De três gerações diferentes, as memórias desses trabalhadores se relacionam profundamente com a própria história da China.

 

A Batalha de Argel (La Battaglia di Algeri)

Itália/Argélia, 1966, 121’

direção: Gillo Pontecorvo

sinopse: Entre os anos de 1954 e 1957, o povo da Argélia decidiu que não seria mais explorado: assim teve início o conflito que levou o país à sua independência. No entanto, a França, através de seu numeroso exército, não estava disposta a deixar que a Argélia se tornasse independente. Começa aí uma verdadeira batalha em Argel, capital do país, travada principalmente entre os métodos convencionais da tropa francesa e as técnicas não-convencionais da FLN, a Frente de Libertação Nacional.

 

A Cidade é Uma Só?

Brasil, 2011, Brasil, 79’

direção: Adirley Queirós

sinopse: O filme reflete sobre o processo de exclusão territorial de Brasília, tendo como ponto de partida a chamada Campanha de Erradicação de Invasões (CEI) que em 1971 removeu os barracos que ocupavam os arredores da cidade e os transferiu para o que é hoje conhecido como Ceilândia. Entre os personagens estão aqueles que foram retirados à força do local sob uma promessa de urbanização que não se cumpriu e uma nova geração já nascida ali. O filme acompanha também a candidatura de Dildu, um dos moradores de Ceilândia a vereador.

 

A Imagem que Falta (L’Image Manquante)

Camboja/França, 2013, 98’

direção: Rithy Panh

sinopse: O período entre 1975 e 1979 foi marcado por uma sangrenta ditadura no Camboja. Milhares de pessoas foram executadas e o governo do Khmer Vermelho deixou poucos registros da matança e da escravidão generalizada no país. O diretor Rithy Panh faz um retrato autobiográfico através de cenas de arquivo e do uso da animação de bonecos para reconstruir a história a partir do ponto de vista quem sofreu a ditadura.

 

Close-Up (Nema-ye Nazdik)

Irã, 1990, 98’

direção: Abbas Kiarostami

sinopse: Hossain Sabzian, um jovem e modesto empregado de uma tipografia, é um cinéfilo apaixonado pela obra do realizador Mohsen Makhmalbaf. Ele se faz passar pelo diretor e começa a filmar uma família. Ao descobrirem sua farsa, ele é preso. Kiarostami se interessa pela história de Sabzian e obtém permissão para filmar o seu julgamento.

 

Culloden

Reino Unido, 1964, 69’

direção: Peter Watkins

sinopse: O filme se passa em 1746, durante a Batalha de Culloden, que ficou conhecida por ser a última guerra a acontecer em solo britânico. Apesar da distância temporal, o filme documenta a guerra como se uma equipe de jornalistas e câmeras de TV contemporâneos estivessem presentes em campo.

 

Dez (Dah)

Irã, 2002, 94’

direção: Abbas Kiarostami

sinopse: Dez conta a história de uma mulher iraniana de classe média e divorciada que dirige um carro, sempre com uma pessoa no banco do passageiro, conversando e debatendo com suas caronas. São cinco histórias contadas, que se intercalam umas nas outras: a do filho pré-adolescente Amin, a de sua irmã, a de uma senhora religiosa, a de uma jovem apaixonada e a de uma prostituta.

 

Eu, um Negro (Moi, Un Noir)

França, 1958, 70’

direção: Jean Rouch

sinopse: Jovens nigerianos deixam sua terra natal para procurar trabalho na Costa do Marfim e acabam chegando a Treichville, bairro operário de Abdijam. O herói, que conta sua própria história, se autodenomina Edward G. Robinson, em honra ao ator americano. Da mesma forma, seus amigos escolhem pseudônimos destinados a lhes forjar, simbolicamente, uma personalidade ideal.

 

Isto não é um filme (In Film Nist)

Irã, 2011, 75’

direção: Mojtaba Mirtahmasb e Jafar Panahi

sinopse: Condenado pela justiça do Irã, o cineasta Jafar Panahi aguarda em prisão domiciliar pelo resultado de sua sentença no tribunal de apelação. Este “não filme” retrata o dia do diretor perseguido pelo governo de Mahmoud Ahmadinejad.

 

Jogo de Cena

Brasil, 2007, 100’

direção: Eduardo Coutinho

sinopse: O filme incita uma provocação entre documentário e ficção através de 23 relatos de mulheres, gravados por uma câmera estática, no Teatro Glauce Rocha, no Rio de Janeiro. As histórias foram selecionadas entre outras 60, que chegaram ao diretor depois da publicação de um anúncio no jornal. O telespectador entra no jogo ao tentar adivinhar quais dos depoimentos são reais e quais são encenados. A maioria deles trata de temas delicados como a maternidade, a relação entre pais e filhos, fins de relacionamentos e homossexualidade.

 

Nanook, o Esquimó (Nanook of the North)

Estados Unidos, 1922, 78’

direção: Robert J. Flaherty

sinopse: Robert Flaherty documenta um ano da vida do esquimó Nanook e de sua família, que vivem em Hudson Bay, no Canadá. Alheios à industrialização insurgente dos anos 20, os esquimós mantêm seus costumes como a caça, a pesca e as migrações. Apesar do filme ter sido considerado um grande documento do modo de vida dessa comunidade, parte da obra fora encenada, como, por exemplo, a construção dos iglus.

 

No Quarto da Vanda

Portugal, 2000, 170’

direção: Pedro Costa

sinopse: Vanda Duarte é uma jovem dependente química que vive no bairro das Fontainhas, ao norte da cidade de Lisboa. O local começa gradualmente a ser destruído pelos tratores da Câmara de Lisboa e Vanda inquieta-se em relação ao seu lar e ao seu futuro.

 

O Jogo da Guerra (The War Game)

Reino Unido, 1965, 48’

direção: Peter Watkins

sinopse: Um cenário pós-ataque nuclear numa cidade da Inglaterra. Uma mistura de cinejornal, ficção e documentário. Presente, futuro e passado. Um duro retrato do que restou depois da aniquiladora e catastrófica Terceira Guerra Mundial.

 

Santiago

Brasil, 2007, 80’

direção: João Moreira Salles

sinopse: Já aposentado, Santiago leva uma vida solitária entre as 30 mil páginas que escreveu sobre nobrezas e dinastias de todo o mundo. Santiago fora por três décadas o mordomo da família Moreira Salles. Em 1992, João Moreira Salles decidiu filmá-lo e só voltou a editar o material em 2005, 13 anos depois, fazendo do filme um ensaio autocrítico que questiona suas escolhas estéticas de diretor e a sua relação com Santiago, seu personagem e antigo mordomo.

 

Sombras (Shadows)

Estados Unidos, 1959, 81’

direção: John Cassavetes

sinopse: Nos anos 50, em Nova York, Lelia, uma garota negra, envolve-se com Tony, um rapaz branco. Seus dois irmãos são músicos lutando para conseguir reconhecimento. O filme acompanha situações das vidas desses personagens e o encontro afetivo entre eles que gera tensões raciais.

 

The Connection

Estados Unidos, 1961, 110’

direção: Shirley Clarke

sinopse: Oito músicos de jazz estão em um apartamento em Nova York esperando Cowboy, o traficante que trará heroína para eles. Jim Dunn, um cineasta e amigo deles, aceita pagar pelas drogas caso os junkies permitam que ele filme o apartamento durante a espera. Especialmente controverso, venceu um prêmio da crítica em Cannes e é hoje um documento valioso sobre a contracultura do início dos anos 1960 e uma obra importante do cinema experimental. Baseado em um livro de Jack Gelber.

 

Um Homem com uma Câmera (Chelovek s kino-apparatom)

URSS, 1929, 68’

direção: Dziga Vertov

sinopse: O filme documenta a vida dos habitantes de uma cidade através do olho de uma câmera. Seus atores são as máquinas e as pessoas da cidade, fotografadas em todos os tipos de situações com a câmera que segue todos os seus movimentos. É considerado por muitos o precursor dos documentários, já que o chamado cinema direto foi fortemente influenciado por Vertov.

 

Verdades e Mentiras (F For Fake)

França/Irã/Alemanha Ocidental, 1973, 89’

direção: Orson Welles

sinopse: No último filme dirigido por Orson Welles, ele desmistifica um grupo de falsificadores: Elmyr de Hory é o maior falsificador de quadros de seu tempo e seu confidente Clifford foi responsável pela biografia de Howard Hughes, que é lembrada como a maior falsificação da década de 70. Welles se coloca em meio aos dois e desvenda as verdades e mentiras existentes nos diversos tipos de arte, fazendo o próprio filme.

 

Viajo porque preciso, volto porque te amo

Brasil, 2009, 71’

direção: Marcelo Gomes e Karim Ainouz

sinopse: José Renato, geólogo, 35 anos, é enviado para uma pesquisa de campo na qual terá de atravessar o sertão. Durante seu trajeto tanto por locais que serão beneficiados quanto por outros que serão desapropriados e inundados por uma obra, ele tenta esquecer uma paixão.

 

Serviço

Mostra Documentário/Ficção – Intersecções

Data: De 2 a 26 de maio de 2017

Local: Cinusp Paulo Emílio (Rua do Anfiteatro, 181 – Colmeia, Favo 04 – Cidade Universitária – São Paulo – SP)

Entrada gratuita – 100 lugares

Contato: (11) 3091-3540 / cinusp@usp.br

Site: www.usp.br/cinusp / www.facebook.com/cinusp