Quando trabalhava no Cine Humberto Mauro, em Belo Horizonte, o cineasta Samuel Marotta conheceu Ewerton Belico, um dos curadores do forumdoc.bh, festival que apresenta parte de sua programação naquela sala. Algum tempo depois, Samuel chamou Ewerton para se juntar ao projeto de Baixo Centro, filme que, em janeiro passado, recebeu o prêmio principal da Mostra Aurora, seção competitiva de longas da 21ª Mostra de Tiradentes.

“Esse argumento inicial trazia a história de dois personagens jovens, um MC e uma estudante de Artes que se encontravam no Baixo Centro de Belo Horizonte. A partir do momento em que o Ewerton entrou no projeto, outras questões foram surgindo, os personagens foram envelhecendo e as questões do filme foram para um universo mais adulto, discutindo temas mais densos. A morte começou a rondar o filme”, resume Samuel.

Ewerton lembra que o momento sociopolítico do Brasil e a mudança na ocupação do espaço urbano influenciou bastante os rumos que o roteiro tomaria. “No momento em que a gente estava escrevendo, toda essa vivacidade que a gente via [em Belo Horizonte] rapidamente morre, violentamente. A primeira versão do roteiro era muito rósea, então o filme foi ficando mais pesado. Foi inclusive por isso que a gente envelheceu os personagens”, conta.

Nos fragmentos de uma noite sem fim, Robert e Teresa se encontram, se conhecem e se separam pela força da opressão e pela ameaça da morte e da desaparição que se insinua continuamente no filme. Circundados por Djamba, Gu e Luísa, a noite sugere encontros, êxtase, memórias da catástrofe e promessa irrealizada de felicidade.

No vídeo a seguir é possível assistir à entrevista que o Cine Festivais realizou com Ewerton Belico e Samuel Marotta no dia seguinte à exibição de Baixo Centro na 21ª Mostra de Tiradentes. Aqui eles falam sobre o processo criativo do filme e comentam questões temáticas e estéticas levantadas pela obra.