Em carta lançada em 2009, ano de sua fundação, os criadores da Semana dos Realizadores destacavam uma ambição: “não a de fazer ver alguns filmes AO INVÉS de outros, mas a de fazer ver e destacar MAIS filmes ALÉM daqueles que já se veem”. O evento surgiu como resposta direta ao pouco espaço que o Festival do Rio dava aos filmes de uma nova geração de cineastas. Passadas oito edições, a Semana agora está inserida em um circuito de festivais muito mais diverso e descentralizado, que lida com a tarefa de analisar uma quantidade cada vez maior de produções nacionais e buscar algum tipo de diferencial identitário.

“A diferenciação destes festivais vai se dar não pelos filmes que se repetem, mas ao contrário, pelos outros filmes em suas programações, pelos menos conhecidos e com menor circulação neste circuito de festivais, além, é claro, daquilo que está para além dos filmes escolhidos e que muitas vezes se faz tão importante quanto: a organização da programação, a estrutura de exibição, os debates, espaços formais e informais que se cria e incentiva para as trocas e discussões a partir dos filmes, entre outras questões”, opina Daniel Queiroz, atual responsável pela curadoria e programação do festival junto com Lis Kogan.

O Cine Festivais enviou por e-mail uma série de questões envolvendo práticas de curadoria e programação, discussões sobre representatividade, cinema brasileiro contemporâneo, entre outros temas. As respostas a seguir foram escritas por Daniel Queiroz, com colaboração de Lis Kogan.

 

A criação da Semana dos Realizadores se deu em um contexto de resistência de uma nova geração de cineastas à concepção artística de eventos tradicionais. Hoje, com a Mostra Aurora de Tiradentes com dez anos, a Semana na oitava edição e outros festivais surgidos de uma vontade parecida consolidados (como o Janela e o Olhar), você acha que o desafio de manter uma identidade curatorial ficou mais difícil? O que mais mudou no conceito do festival neste período?

O circuito de festivais se ampliou muito no Brasil, com uma atenção maior ao cinema brasileiro realizado por uma nova geração, por nomes que vem surgindo e se firmando, com obras muito particulares que, há alguns anos atrás, não encontravam espaço em eventos mais tradicionais, como o Festival do Rio (vale lembrar que a Semana foi inicialmente criada justamente para propiciar um espaço para lançamento e debate destes filmes que não tinham uma boa janela para isto no Rio de Janeiro).

No entanto, apesar de serem vários os festivais que prestam atenção a uma nova cena do cinema brasileiro, são muitos os caminhos possíveis que se pode seguir a partir daí, e o desafio de se manter uma identidade curatorial persiste de qualquer maneira. Ser simplesmente um festival voltado para o cinema brasileiro contemporâneo é algo muito vago. Uma identidade curatorial consistente e que permita ao festival se destacar no meio de tantos eventos precisa ir além.

Naturalmente alguns filmes acabam por se impor às seleções e se fazem presentes em boa parte destes festivais que tem algum grau de sintonia, como a Semana, o Cine Esquema Novo, o Janela, o Panorama, o forumdoc.bh, o Fronteira, o Olhar de Cinema e mesmo Brasília, apesar de que neste último observou-se maior instabilidade identitária nos últimos anos.

Daí, a diferenciação destes festivais vai se dar não pelos filmes que se repetem, mas ao contrário, pelos outros filmes em suas programações, pelos menos conhecidos e com menor circulação neste circuito de festivais, além, é claro, daquilo que está para além dos filmes escolhidos e que muitas vezes se faz tão importante quanto: a organização da programação, a estrutura de exibição, os debates, espaços formais e informais que se cria e incentiva para as trocas e discussões a partir dos filmes, entre outras questões. Na Semana, os debates e as trocas entre realizadores e público são fundamentais.

Muito embora as atenções em geral se voltem mais para os longas, nos festivais que lidam com filmes de todas as durações, no caso específico da Semana dos Realizadores, os curtas e médias contribuem em boa medida para a sua diferenciação, ao propositadamente jogar luzes sobre obras que muitas vezes passam mais despercebidas pelo circuito de festivais.

Vale ainda observar que pode-se buscar uma identidade, mas que essa efetivamente se dá pela forma como o festival é percebido e reconhecido pelo seu público, ou seja, não se trata de uma definição interna, mas principalmente da percepção externa resultante do trabalho realizado. A manutenção de uma linha e a consistência da programação em diversas edições é fundamental para que isto ocorra de maneira satisfatória.

 

Principalmente no início da Mostra Aurora, muito se falava de filmes que só teriam espaço para serem exibidos ali. Você acha que essa classificação se estende em alguns casos a filmes selecionados para a Semana dos Realizadores nos dias de hoje? Esta é uma preocupação da curadoria? Esta particularidade passa pela escolha de exibir trabalhos de artistas visuais geralmente exibidos apenas em galerias ou museus?

Sabemos que na seleção da Semana encontram-se alguns filmes que terão pouco espaço em outros festivais, mas isto ocorre de uma maneira natural, não se trata de uma decisão prévia que de alguma forma possa engessar o festival. Parte disto ocorre realmente em função do interesse da Semana por filmes de artistas visuais que muitas vezes nem são cogitados na maioria dos festivais, mesmo porque em geral são filmes que nem se inscrevem, que não são submetidos ao processo seletivo. Como a Semana trabalha ativamente com pesquisa e convite a filmes, além da seleção entre aqueles que se inscrevem, é comum termos em nossa programação algumas obras que serão pouco vistas por aí.

A ideia não é simplesmente ter “filmes de galeria”, mas entender que se queremos apresentar filmes que de alguma forma forçam os limites do cinema, filmes de maior risco e experimentação, precisamos estar atentos ao que se passa fora do circuito tradicional de cinema e dos festivais. Interessa-nos este deslocamento de obras, que terão diferentes leituras a depender do contexto em que são apresentadas, sabendo da potência amplificada que se pode ter no ambiente imersivo de uma sala de cinema. Já enfrentamos a relutância de alguns artistas que, a princípio, não achavam que seus filmes “funcionariam” numa sala de cinema, mas acabaram topando a exibição por insistência nossa e saíram da sessão felizes com o resultado da experiência propiciada.

Obviamente não se trata de questionar a exibição em galerias, de dizer que isto é melhor do que aquilo, mas simplesmente de se entender que algumas obras podem funcionar tanto no contexto expositivo quanto na exibição tradicional numa sala de cinema, diminuindo barreiras e propiciando novas relações entre os filmes e o público.

 

Como curador/a da Semana dos Realizadores, o que você busca nos filmes e que tipo de trabalho você considera uma descoberta em meio a tantos filmes e festivais?

O trabalho de curadoria é um trabalho de recorte, de fazer escolhas entre um número cada vez maior de opções. Na última edição foram mais de 120 longas e quase 700 curtas entre filmes inscritos e vistos no trabalho de pesquisa de programação.

Sabemos que não se trata de escolher os melhores (isto não existe) e que o gosto pessoal não deve ser preponderante, muito embora não deva também ser deixado totalmente de lado, uma vez que sabemos que a subjetividade faz parte do processo.

Os caminhos seguidos nos recortes realizados a cada edição são vários. Existem algumas linhas de interesse que nos são claras e se tornam também cada vez mais evidentes para os realizadores que submetem seus filmes e para o público que nos acompanha.

O festival é voltado para a produção brasileira autoral recente e tem um interesse especial por filmes que exploram as potencialidades da linguagem cinematográfica, em especial os que o fazem com algum grau de risco e ousadia, que lidam com experimentação, que buscam caminhos bem particulares. Interessam-nos filmes estranhos, que nos provoquem, que nos desloquem. Interessam-nos filmes feitos em sintonia com seu tempo, que provoquem discussões sociais, políticas e estéticas.

Ao mesmo tempo em que temos este interesse especial por obras não convencionais, estamos também abertos a obras de perfil mais clássico, narrativo. Mas talvez nosso grau de exigência para com estas obras seja um pouco maior, o que acaba por diminuir sua presença no desenho final da programação. Nos filmes de maior risco compramos mais a ideia de que os caminhos são tão ou mais importantes do que o resultado final.

Não buscamos filmes confortáveis, unanimidades. Estamos mais interessados num cinema que provoque, que tire o espectador do seu lugar. Neste sentido, uma coisa que tem pautado muito as discussões de programação na Semana é a “experiência do cinema”. Fica cada vez mais claro como que determinadas obras pedem o contexto de uma boa sala de cinema para “acontecerem”. O cinema Itaú Botafogo, com a sala “stadium”, tela bem grande e um bom sistema de som, tem sido fundamental para ampliar a potência de filmes que ganham muito pelo contexto, pelas condições de exibição e, importante citar, pela abertura do público do festival, que cada vez mais se mostra disposto e interessado em obras que não tragam mais do mesmo.

Este tipo de busca por si só não é diferente da busca de tantos outros festivais, no Brasil e no mundo. Todo programador que se aventura a ver centenas de filmes num processo de seleção tem este desejo de descobrir o novo, encontrar filmes que se destaquem no meio de tantos outros, especialmente de nomes desconhecidos, fazendo novas descobertas. O que ao final vai diferenciar o festival são as escolhas realizadas no meio de tantas possibilidades e a forma como os filmes escolhidos serão articulados na programação do evento.

 

A Semana dos Realizadores do ano passado trouxe uma mostra especial com curadoria de mulheres e um debate a respeito do cinema negro feminino. Muito tem sido discutido a respeito dos caminhos para que filmes de diferentes parcelas da sociedade (mulheres, negro/as, índio/as, LGBTs) adquiram maior visibilidade, o que resultou inclusive na criação de eventos como o Festival Internacional de Cinema de Realizadoras. Como a curadoria da Semana se insere em meio a esta discussão e de que maneira a mudança desse panorama passa também por uma maior diversidade entre os membros das comissões de seleção e da curadoria?

A Semana nasceu como um gesto político e sentimos que ela só continua viva se mantendo assim. É muito claro para a gente que o festival não está destacado do mundo, pelo contrário, está completamente implicado nele e, o quanto mais, melhor. Nossa busca nos últimos anos foi por estarmos atentos e dispostos a aproveitar o festival como canalizador para questões urgentes transbordando à nossa volta. Se na gênese da Semana a questão passava muito mais pelo espaço a uma nova geração e suas novas propostas e discussões, em pouco tempo abrimos espaço para discussões mais declaradamente políticas, e, nesse momento, entendemos que a discussão passa muito por ampliar vozes reprimidas na nossa sociedade.

Estamos abertos e ainda em busca, pesquisando e questionando constantemente, trazendo para a tela questões que se materializam em filmes e debates com a força estética e política que a Semana busca reverberar. Isso passa também, claro, por uma revisão e questionamento das próprias estruturas e da construção/naturalizaçao da própria política de olhar. Tem muita gente nessa busca e temos encontrado parcerias ricas que ajudam a complexificar e ampliar as questões.

Foi o caso, por exemplo, dessa mostra “Com Mulheres”, que veio do festival CachoeiraDoc, organizada pela Amaranta Cesar, com curadoras de diversos cantos e perspectivas de trabalho. O debate “Por um cinema negro no feminino”, com Yasmin Thayná e Adélia Sampaio, foi impulsionado pela programação da Janaína de Oliveira, que é curadora e pesquisadora de cinema negro, e mediou a conversa.

Estamos então nesse ponto, de busca, abertura e constante questionamento. Em 2016 ampliamos pela primeira vez de maneira mais significativa o grupo de seleção da Semana. A presença feminina/feminista tem sido uma constante no nosso trabalho (vide a logo ter se transformado em Semana d_s Realizador_s), e esse ano a presença do André Novais Oliveira no processo de discussão nos mostrou o tanto que é importante e mesmo essencial essa ampliação dos pontos de vista. André é um dos cineastas mais interessantes do Brasil hoje, e ainda um dos olhares mais sensíveis às questões do negro e da periferia, e nos fez enxergar coisas além.

Enfim, estamos entendendo como lidaremos com isso daqui em diante, com algumas ideias e planos que preferimos divulgar quando estiverem de fato se concretizando. A Semana tem uma estrutura bem pequena e focada, e qualquer movimento depende de abraços dos colaboradores por um lado, e de uma coerência com os propósitos e peculiaridades do festival por outro. Um organismo vivo, sensível e aberto a transformações.

 

Um dos diferenciais da Semana dos Realizadores é a inexistência de barreiras entre os curtas, os médias e os longas-metragens da mostra competitiva. Gostaria que você falasse se encara esta como uma decisão política e se conhece outros festivais brasileiros ou internacionais que adotam esta postura.

Sem dúvida esta decisão é política, como são todas as decisões relativas à programação do festival.

O desafio maior ao lidar com as diferentes durações é a forma de programar, para que cada filme possa ser potencializado, evitando-se especialmente o risco que se tem de colocar o curta ou o média numa posição menor em relação ao longa.

Isto se evidencia no formato que temos adotado para as programações competitivas, em que o curta não fica restrito ao papel de “abrir para o longa”. Como em geral cada sessão traz ao menos dois filmes, a intenção é que seja uma sessão dupla (ou às vezes tripla), em que cada um dos filmes possui igual importância e recebe as melhores condições possíveis para sua fruição. A realização de um breve debate após cada filme, ou mesmo a pausa para a apresentação do filme seguinte, mostra-se importante para que cada filme possa ser melhor absorvido. De toda forma, ao se montar sessões com dois ou mais filmes, pensamos muito nas conexões que serão naturalmente criadas entre eles e tomamos as decisões de montagem das programações querendo contribuir ao máximo com cada trabalho.

Procuramos levar para a premiação esta mesma postura adotada na seleção/programação, abolindo a separação dos prêmios de longas dos de médias e curtas. Isto se dá pelo respeito a cada filme, mas também como uma decisão política que quer afirmar que um longa não é mais importante que um curta.

Não conhecemos tanto o circuito de festivais para citar outros que adotam a mesma postura. No nosso caso, estas decisões em relação aos formatos foram sendo amadurecidas ao longo do tempo; foi um processo particular e próprio que não se deu por inspiração em outros eventos. Mas sabemos que há festivais que adotam procedimento semelhante, como o Doc Lisboa.

 

O papel da curadoria não se esgota na seleção, pois passa também pela maneira com que os filmes são programados, dialogando entre si na mesma sessão ou no todo do festival. Tomando o exemplo da Semana dos Realizadores, gostaria que você falasse sobre esta segunda função. A seleção já foi alguma vez influenciada pela potência de conexão entre dois ou mais filmes, não apenas por eles tomados separadamente? Ou a programação só é algo direta e indiretamente pensada após a seleção?

Na Semana dos Realizadores, o fechamento da seleção se dá em paralelo ao fechamento da programação, justamente porque algumas definições de filmes vão se dar em função do contexto, das outras obras já definidas e das possibilidades de montagem de sessões (especialmente do casamento de curtas, médias e longas a serem apresentados juntos numa mesma sessão).

A ordem dos filmes numa sessão, a ordem das sessões num dia, a escolha do dia para cada filme, tudo isto é exaustivamente pensado, nada é definido ao acaso. Claro que neste processo ocorrem erros e acertos, são apostas que se fazem, cujo resultado pode surpreender para o bem ou para o mal. Ou seja, só se sabe se aquelas escolhas de programação “funcionaram” durante a realização do festival (e mesmo assim este “funcionar” vai ser sempre relativo, vai variar de acordo com a percepção de cada um, seja ele programador, realizador ou público).

Sobre a montagem em si das sessões, é difícil falar como ela se dá, pois não há regra. Buscamos conexões que não tragam prejuízo aos filmes, mas que, ao contrário, possam contribuir com eles, evitando caminhos muito óbvios, programas temáticos ou algo desta natureza. Às vezes as escolhas se dão pensando mais no ritmo da sessão e em outras questões mais subjetivas.

 

A programação do ano passado trouxe uma mesa com os dois curadores fazendo um balanço panorâmico da trajetória da Semana dos Realizadores e projetando as próximas edições. Na recente curadoria do Festival de Brasília notou-se uma preocupação de Eduardo Valente em expor seus pensamentos sobre a seleção e programação, seja em mesas de debate ou nas redes sociais. Noto tendência semelhante no trabalho que o Cléber Eduardo vem desenvolvendo para seleção dos filmes da Mostra de Tiradentes. Qual é a importância de se desfazer a ideia de uma curadoria fechada nela mesma e intocável, e o que o cinema brasileiro tem a ganhar com uma maior discussão sobre os meandros da curadoria/programação?

Trata-se justamente de reconhecer que a curadoria não pode e não deve ficar neste lugar “intocável”. Encaramos o processo de curadoria como um processo falho por natureza, falho no sentido de não existir uma curadoria perfeita, uma curadoria certa ou errada. A abertura e discussão de processos internos ocorre como um amadurecimento natural de festivais que encaram este trabalho com seriedade e profissionalismo, sabendo que as escolhas e montagem de programação vão muito além de um “ajuntamento de filmes”. O cinema brasileiro ganha ao encontrar espaços de exibição onde os filmes serão valorizados e potencializados pelo contexto.

 

A Semana dos Realizadores exibiu em 2011 A Cidade é Uma Só?, que depois viria a ganhar a Mostra de Tiradentes e impulsionar Adirley Queirós como um dos grandes nomes do cinema brasileiro contemporâneo. Quais outros realizadores desta leva mais recente você destacaria? Que lugar esta geração pode ocupar dentro da história do cinema nacional?

Destacar nomes nunca é tarefa fácil e é preciso algum distanciamento histórico e revisões para se perceber com maior clareza quais são os filmes que vão ficar, quais são as obras que não irão envelhecer rapidamente (mas que, ao contrário, podem ganhar com o tempo) e quais são os cineastas que em sua trajetória irão constituir uma obra consistente e se firmar na história do cinema brasileiro.

Acreditamos que o Adirley Queirós é um destes nomes. Passando em revista os catálogos das edições anteriores da Semana, podemos destacar vários outros nomes. Já em sua primeira edição, em 2009, a Semana exibiu filmes de diversos cineastas que vêm se firmando na cena brasileira e internacional, como Guto Parente, Gabriel Mascaro, Davi Pretto, Marcelo Pedroso, Clarissa Campolina, Marília Rocha, Caetano Gotardo, Gustavo Beck, Felipe Bragança, Marina Meliande, Marco Dutra, Juliana Rojas e Gustavo Spolidoro.

Nos dois anos seguintes vieram nomes como Luiz Pretti, Ricardo Pretti, Pedro Diógenes, Marcelo Caetano, Anita Rocha da Silveira, Daniel Lisboa, André Novais Oliveira, Affonso Uchoa, Fellipe Barbosa, Maya Da-Rin, Sérgio Borges, Gabriel Martins, Sérgio Oliveira, Renata Pinheiro, Takumã Kuikuro, Leonardo Sette, Rodrigo de Oliveira, Karen Akerman, Miguel Seabra Lopes, Michael Wahrmann, Rafael Urban, Tiago Mata Machado, Louise Botkay e o já citado Adirley Queirós.

Depois se seguiram outros tantos como Leonardo Mouramateus, Helvécio Marins, Miguel Antunes Ramos, Allan Ribeiro, Leo Pyrata, Luiz Roque, Melissa Dullius, Gustavo Jahn, Maria Clara Escobar, Dellani Lima, Yuri Firmeza, Gustavo Vinagre, Cinthia Marcelle, Lincoln Péricles, Pablo Lobato, Gabraz, Ana Vaz, João Vieira Torres.

Vale notar que muitos destes cineastas que hoje já tem maior reconhecimento e representatividade na cena nacional tiveram seus curtas ou primeiros longas exibidos na Semana, e que o festival tem uma preocupação em acompanhar suas carreiras. Isto não significa que uma vez selecionado para a Semana, todo realizador terá seu filme seguinte automaticamente selecionado, mas que terá certamente uma atenção da equipe curadora para seus próximos trabalhos.

Destacar alguns nomes entre tantos não é simples e não vemos por que fazê-lo. Cada um dos curadores da Semana poderia citar dois ou três nomes de sua predileção, fazer as suas apostas, mas o mais interessante é justamente notar como há toda uma geração que vem se firmando (e se renovando; talvez seja importante falar no plural, em novas gerações).

Trata-se de um grupo grande de realizadores que vem construindo seu caminho e que certamente terá um lugar importante na história do cinema brasileiro. Estas novas gerações vivenciaram mudanças tecnológicas fundamentais, que mudam paradigmas. Elas se aproveitam não apenas das facilidades de produção surgidas, mas das possibilidades estéticas que se abrem. Um trabalho muito sintomático disto é o longa Proxy Reverso (dirigido por Guilherme Peters e Roberto Winter), que foi inteiramente construído com as imagens que se passam na tela do computador do protagonista. O destaque do filme não se dá apenas pela novidade em sua realização, mas pela forma como se trabalha uma série de questões a partir daí, de como se estrutura a narrativa e de como o filme dialoga com o momento presente.

Por fim, é importante observar que a Semana, apesar do interesse posto por novas gerações, por descobertas e apontamentos de cineastas em início de carreira, também se interessa pela exibição de obras de autores que chegam já maduros e reverenciados pela crítica ou pelo público. Já foram exibidos filmes de cineastas como Cao Guimarães, Paula Gaitán, Carlos Nader, Kleber Mendonça Filho, Marcellvs, Carlos Adriano e Maria Augusta Ramos, além de programações de mestres como Júlio Bressane e Luiz Rosemberg Filho, que em 2016 voltaram ao festival com seus últimos trabalhos.

 

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