Em listas dos melhores filmes da história do cinema, o nome de Friedrich Wilhelm Murnau (1888-1931) é invariavelmente citado através de obras como Nosferatu (1922), A Última Gargalhada (1924) e Aurora (1927). O renomado cineasta alemão será o homenageado pela seção Olhar Retrospectivo do 6º Olhar de Cinema – Festival Internacional de Curitiba, que acontece entre os dias 7 e 15 de junho.

A retrospectiva, que teve curadoria de Aaron Cutler, um dos três programadores de longas-metragens do festival, contará com cópias em DCP, feitas recentemente, de 10 filmes de Murnau.

Além das obras-primas mais celebradas do diretor, a seleção inclui trabalhos não tão conhecidos. Um exemplo é a restauração do filme mais antigo de Murnau que existe intacto, Caminhada Noite Adentro (1921), feita pelo Museu de Cinema de Munique. Oito das dez cópias são fornecidas pela Fundação Friedrich Wilhelm Murnau, um arquivo que guarda importantes filmes de vários diretores alemães.

F. W. Murnau nasceu na cidade de Bielefeld e foi criado em Kassel. Estudou filologia, história da arte, literatura e teatro, depois entrou para o exército e serviu como comandante e piloto de caça na Primeira Guerra Mundial. Como cineasta, trabalhou com diversos gêneros – incluindo romance, comédia, horror, melodrama e fantasia – durante o período do Primeiro Cinema, fazendo parte do que conhecemos hoje como Expressionismo Alemão.

Murnau deixou a Alemanha sob contrato com a 20th Century Fox, e gravou quatro filmes nos Estados Unidos, antes de morrer, com 42 anos de idade, em um acidente de carro uma semana antes da estreia de seu filme Tabu (1931).

Muitos dos trabalhos de Murnau foram perdidos ao longo do tempo, como aconteceu com grande parte dos cineastas da era silenciosa. Dos 21 filmes feitos por ele, hoje restam apenas 12 que se encontram completos.

“Murnau é um cineasta que joga sua luz dentro da escuridão de uma arte expressionista, reflexo de um tempo sombrio do pós-Primeira Guerra Mundial. Profundo conhecedor da técnica e estética da arte cinematográfica, deu à câmera uma função de refletir os sentimentos de seus personagens e as atmosferas de seus filmes. Ele carregava consigo uma verdadeira fé no poder da criação de imagens e tinha convicção de que com elas criaria obras potentes. Assim, Murnau, com a narrativa e o simbolismo de sua arte e sua vida, é um nome que apresentamos na tentativa de dialogar com o momento obscuro que vivemos”, pontua Antônio Junior, diretor de programação do festival.

A lista de filmes confirmados para a retrospectiva está abaixo na ordem cronológica. Todos os filmes foram dirigidos por F. W. Murnau.

 

Caminhada Noite Adentro (Der Gang in die Nacht) (República de Weimar, 1921, 80min; trilha composta por Richard Siedhoff; cópia fornecida pelo Museu de Cinema de Munique)

O Castelo Vogelöd (Schloss Vogelöd) (República de Weimar, 1921, 61min; trilha composta por Neil Brand; cópia fornecida pela Fundação Friedrich Wilhelm Murnau)

Nosferatu (Nosferatu, eine Symphonie des Grauens) (República de Weimar, 1922, 95min, trilha composta por Hans Erdmann e conduzida por Berndt Heller; cópia fornecida pela Fundação Friedrich Wilhelm Murnau)

Fantasma (Phantom) (República de Weimar, 1922, 122min; trilha composta por Robert Israel; cópia fornecida pela Fundação Friedrich Wilhelm Murnau)

As Finanças do Grão-Duque (Die Finanzen des Grossherzogs) (República de Weimar, 1924, 78min; trilha composta por Ekkehard Wölk; cópia fornecida pela Fundação Friedrich Wilhelm Murnau)

A Última Gargalhada (Der letzte Mann) (República de Weimar, 1924, 91min; trilha composta por Giuseppe Becce, arranjada por Detlev Glanert, e conduzida por Frank Strobel; cópia fornecida pela Fundação Friedrich Wilhelm Murnau)

Tartufo (Herr Tartüff) (Versão americana) (República de Weimar, 1925, 65min; trilha adaptada por Javier Pérez de Azpeitia da música original composta por Giuseppe Becce; cópia fornecida pela Fundação Friedrich Wilhelm Murnau)

Fausto (Faust – Eine deutsche Volkssage) (República de Weimar, 1926, 108min; trilha composta por Javier Pérez de Azpeitia, baseada no arranjo da orquestra de 1926 por Paul Hensel; cópia fornecida pela Fundação Friedrich Wilhelm Murnau)

Aurora (Sunrise: A Song of Two Humans) (E.U.A., 1927, 106min; trilha não creditada; cópia fornecida pela Park Circus)

Tabu (Tabu: A Story of the South Seas) (E.UA., 1931, 87min; música por Hugo Riesenfeld; cópia fornecida pela Fundação Friedrich Wilhelm Murnau)